Republicanos manifestam cautela diante de ameaças de Trump sobre Groenlândia
Diversos republicanos na Câmara expressaram cautela frente às recentes ameaças do presidente Donald Trump de tomar a Groenlândia por meio de intervenção militar, o que tem gerado preocupação entre os aliados da Otan.
O deputado Dan Newhouse, que representa um distrito competitivo no estado de Washington, declarou que não encontrou razões convincentes para apoiar ações contra aliados da Otan. Questionado pela CNN sobre a possibilidade de a iniciativa de Trump desestabilizar a aliança, Newhouse afirmou que esse risco existe caso o movimento avance muito.
Ele também ressaltou desejar ouvir diretamente do presidente seus planos e detalhes, mas alertou para a necessidade de cautela.
Outro republicano, Don Bacon, de um distrito competitivo e que pretende se aposentar no fim deste ano, advertiu que a insistência de Trump na aquisição da Groenlândia pode ser politicamente prejudicial, desviando o foco das questões econômicas positivas, como o crescimento de 4,3%, inflação de 2,7% e estabilidade no desemprego.
Bacon observou que 84% dos americanos discordam da ideia de invadir um aliado da Otan e classificou as ameaças de Trump como inadequadas do ponto de vista moral, ressaltando que não se deve ameaçar aliados com quem há cooperação constante.
Ele acrescentou que os salários no país cresceram mais rápido que a inflação pela primeira vez em cinco anos e que Trump perdeu o foco no que é importante.
Por sua vez, o deputado Mark Alford, que visitou a Dinamarca no ano passado e se reuniu com autoridades, defendeu a integridade da Otan e a manutenção dos relacionamentos. Alford concordou com Trump, dizendo que o país deveria usar sua influência para persuadir o povo da Groenlândia a se separar da Dinamarca e tornar possível a compra do território, destacando o aspecto estratégico da ação.
Apesar dos protestos na Groenlândia em resposta à possibilidade do uso das Forças Armadas dos EUA para tomar o controle do território, Alford não demonstrou preocupação, acreditando que o projeto vai prosperar com paciência e prevendo que a Groenlândia possa eventualmente fazer parte dos Estados Unidos.
O deputado Richard Hudson, que preside o braço de campanha do Partido Republicano na Câmara, afirmou não estar preocupado com a possibilidade de os EUA invadirem um aliado da Otan em curto prazo. Ele apoiou amplamente as políticas comerciais de Trump, mas respondeu cautelosamente sobre a imposição de tarifas a aliados europeus ligadas à questão da Groenlândia.
Quando perguntado sobre o uso de ação militar no território, o deputado Buddy Carter, que concorre ao Senado e busca o apoio de Trump, disse que isso é uma ferramenta na “caixa de ferramentas” e que não está claro se as ameaças fazem parte de uma estratégia de negociação, lembrando o histórico de Trump como empresário imobiliário.
A discussão sobre a Groenlândia levanta preocupações dentro do partido republicano e entre aliados internacionais, diante das ameaças explícitas do presidente dos Estados Unidos.
Créditos: CNN Brasil