Internacional
15:07

Trump defende anexação pacífica da Groenlândia em discurso no Fórum de Davos

O discurso de Donald Trump na quarta-feira (21/1) durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, estava cercado de expectativa.

Líderes globais aguardavam suas mensagens em meio às tensões atípicas geradas por suas decisões desde que reassumiu a presidência, que têm afetado o equilíbrio geopolítico.

Apesar de um problema técnico com o avião presidencial, Trump chegou no horário e falou por mais de uma hora, cerca de 20 minutos além do previsto, abordando diversos temas.

Em solo europeu, diante de autoridades políticas e empresariais, Trump não deixou de criticar a Europa. A Casa Branca já havia declarado que o continente está em decadência na formulação de sua segurança nacional. Nesta ocasião, ele amenizou as críticas, afirmando “Não quero ofender ninguém” e “Eu amo a Europa”.

Trump detalhou as melhorias na economia americana durante seu governo, defendeu as tarifas impostas — destacando que “os Estados Unidos não vão subsidiar o mundo e voltou” — e afirmou que a intervenção na Venezuela e a retirada de Nicolás Maduro trarão prosperidade ao país.

O foco principal do discurso foi sua intenção de anexar a Groenlândia, ponto central das tensões atuais entre os EUA e a Europa, que causou descontentamento entre os líderes europeus presentes.

Ele declarou querer “negociações imediatas” para comprar a Groenlândia, reforçando que “não usará a força”.

“Apenas os EUA podem proteger essa enorme massa de terra, esse gigantesco bloco de gelo, desenvolvê-lo e melhorá-lo”, disse Trump.

A Groenlândia, território autônomo dinamarquês desde 1814, é descrita por Trump como “um país vasto, quase desabitado e não desenvolvido, que está indefeso”.

Segundo o presidente, a Dinamarca não demonstra presença suficiente na ilha e investe menos do que prometeu.

No entanto, Trump assegurou que não usará força contra países aliados da OTAN, incluindo a Dinamarca, afirmando: “Não preciso usar força, não quero usar força, não vou usar força.” Ele resumiu que os EUA apenas querem “um lugar chamado Groenlândia”.

A fala ocorre em meio à tensão EUA-Europa provocada pelo interesse americano na ilha. Recentemente, Trump impôs tarifas à Dinamarca e outros sete países europeus contrários à aquisição.

Ele negou que o interesse seja por minerais raros na Groenlândia, afirmando que o foco está na segurança nacional estratégica e internacional.

Trump também mencionou querer construir o “maior domo de ouro já construído” na ilha, um projeto de defesa contra mísseis inspirado no “domo de ferro” de Israel.

Uma novidade no discurso foi a alegação de que os EUA teriam direito sobre a ilha devido à defesa do território na Segunda Guerra Mundial, após a invasão da Dinamarca pela Alemanha nazista.

“Nós já a tínhamos, mas a devolvemos à Dinamarca depois da Segunda Guerra Mundial”, afirmou, destacando que os EUA “deveriam tê-la mantido”.

Com isso, o discurso de Trump em Davos esfriou as esperanças europeias por um alívio nas tensões da crise da Groenlândia, embora tenha havido algum conforto pela promessa de não usar força militar.

A Groenlândia é a maior ilha do mundo, com três quartos de seu território coberto por gelo permanente. Tem cerca de 56 mil habitantes, sendo o território menos densamente povoado do planeta.

Sua localização entre a América do Norte e o Ártico a torna estratégica para sistemas de alerta precoce e monitoramento naval.

Acordos permitem que os EUA posicionem tropas na ilha livremente; atualmente, mais de cem militares americanos estão na base de Pituffik, operada pelos EUA desde a Segunda Guerra Mundial.

Após visitas recentes a Washington, Dinamarca e Groenlândia indicaram disponibilidade para permitir maior presença militar americana.

Trump iniciou o discurso afirmando não reconhecer mais a Europa, mas que ama o continente e quer vê-lo prosperar. Ele citou migração descontrolada e déficits orçamentários e comerciais como problemas.

Segundo ele, “partes do nosso mundo estão sendo destruídas e os líderes não fazem nada”.

Falou da Europa como exemplo do que a esquerda radical tenta impor nos EUA, referindo-se a políticas para reduzir o consumo de combustíveis fósseis.

Ele destacou que os preços da eletricidade na Alemanha subiram 64% e que o Reino Unido produz muito menos energia que em 1999.

Trump destacou a melhora econômica nos EUA sob seu governo, afirmando ter reduzido em 77% o déficit comercial mensal, sem inflação, contrariando expectativas.

Disse que siderúrgicas estão sendo construídas pelo país e que acordos comerciais históricos foram firmados com parceiros que representam 40% do comércio americano, incluindo Europa, Japão e Coreia do Sul, focados em petróleo e gás.

Segundo ele, esses acordos aumentaram riqueza e impulsionaram mercados de ações, beneficiando também outros países.

Para justificar as tarifas, Trump afirmou que sem elas não teria conseguido reduzir preços de medicamentos e garantiu que os EUA não subsidiarão o mundo.

Relatou ter pressionado o presidente francês Emmanuel Macron para aceitar suas condições sobre preços de remédios, ameaçando tarifas.

Brevemente, mencionou a Venezuela, dizendo que os EUA capturaram 50 milhões de barris de petróleo do país após a operação para depor Nicolás Maduro.

Afirmou que a Venezuela lucrará mais nos próximos seis meses do que nos últimos 20 anos.

Essa fala se deu enquanto criticava os custos elevados de petróleo na gestão Biden, afirmando que sua administração havia aumentado a produção de petróleo e gás.

Créditos: Reuters

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