Política
18:08

Lula defende cautela em decisões após convite de Trump para Conselho da Paz

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, na terça-feira (20.jan.2026), em Rio Grande (RS), que age com cautela diante de decisões políticas. A declaração ocorreu horas depois de Donald Trump (Partido Republicano) confirmar ter convidado Lula para integrar o Conselho da Paz, iniciativa dos EUA sobre a situação em Gaza.

Lula mencionou a campanha eleitoral de Trump como exemplo de manipulação digital e ressaltou a importância do equilíbrio para tomar decisões com a mente clara. Ele afirmou que o mundo enfrenta uma situação delicada devido à velocidade das informações e ações políticas, e que não se deixa influenciar por anúncios ou pressões externas.

“Na campanha do presidente Trump, foram enviadas 2 bilhões de mensagens contra a adversária dele [Hilary Clinton]. É uma febre de celular que torna as pessoas viciadas e manipuláveis”, declarou o presidente.

Ele também criticou o crescente individualismo da população brasileira, apontando hábitos digitais que facilitam a disseminação de mentiras. Como exemplos, citou pedidos de comida e contas pelo telefone, grupos de WhatsApp e a necessidade de compartilhar detalhes cotidianos, comportamento que chamou de “futrica pura”.

Lula comentou que a direita explorou essa situação e criou uma indústria poderosa para distribuir desinformação. Sobre sua postura diante do cenário global, o presidente destacou seu método para tomar decisões políticas.

“O mundo está virando do avesso. Nesse sentido, sou muito equilibrado. Primeiro, não tomo decisão com 39 graus de febre; espero a febre baixar. Segundo, não me preocupo com o que acontece depois das 10 horas da noite. Quero dormir bem. Se perder o sono por causa do que algum presidente disse, dane-se. Falou, falou”, afirmou.

Este comentário reflete sua estratégia de prudência na política externa. Quanto ao Conselho da Paz, o Planalto ainda não aceitou o convite e demonstra cautela. Horas antes, Lula havia criticado Trump por querer “governar o mundo pelo Twitter”.

O presidente também abordou a imposição de tarifas dos EUA às exportações brasileiras: “O Trump me taxou, não vou ficar chorando, nem lamentando. Vou buscar quem queira comprar”, declarou.

As críticas se intensificaram em razão de divergências sobre a Venezuela, cuja condução pelos EUA contraria a diplomacia tradicional do Brasil. Em seguida, Trump propôs a participação de Lula no Conselho de Paz.

No mesmo dia, o presidente participou da assinatura de contratos do programa Mar Aberto, da Petrobras, que visa fomentar a indústria naval e offshore brasileira. A cerimônia aconteceu no estaleiro Ecovix, no porto de Rio Grande (RS).

Os contratos preveem a construção de 5 navios gaseiros, 18 empurradores, 18 barcaças e a supervisão da construção de navios Handymax, totalizando investimento de R$ 2,8 bilhões. O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, esteve presente.

Segundo a Petrobras, as embarcações serão operadas pela Transpetro e construídas em estaleiros de três estados. No Rio Grande do Sul, o Estaleiro Rio Grande ficará responsável pelos gaseiros; no Amazonas, o estaleiro Bertolini Construção Naval da Amazônia, pelas barcaças; e em Santa Catarina, a Indústria Naval Catarinense construirá os empurradores.

Além disso, foi firmado contrato de adesão do Terminal de Uso Privado (TUP), vinculado ao projeto da nova fábrica de celulose da CMPC. Este faz parte do Projeto Natureza e representa investimento de R$ 24 bilhões.

O governo federal considera o empreendimento estratégico para fortalecer a infraestrutura logística e facilitar o escoamento das exportações.

O TUP será instalado no complexo portuário de Rio Grande e terá capacidade para movimentar até 9 milhões de toneladas por ano em seu 11º ano de operação, divididas entre 4,5 milhões de toneladas para descarga de barcaças e 4,5 milhões para carregamento de navios.

Também participaram da cerimônia a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, e o presidente da Transpetro, Sérgio Bacci.

Créditos: Poder360

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