Internacional
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Trump lança Conselho da Paz para Gaza e futuros conflitos em Davos

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, oficializa nesta quinta-feira (22) a criação do “Conselho da Paz” em uma cerimônia no Fórum Econômico de Davos. O órgão é uma estrutura criada pelos EUA para atuar na manutenção da paz e na reconstrução da Faixa de Gaza, podendo também atuar em outros conflitos internacionais futuramente.

Cerca de 60 lideranças mundiais foram convidadas a participar do conselho, inclusive o presidente Lula, que ainda não respondeu ao convite. O Conselho terá papel consultivo, assessorando um comitê palestino tecnocrático e apolítico responsável pela administração provisória da Faixa de Gaza, que iniciou suas atividades neste mês no Cairo.

Segundo o estatuto do conselho obtido pela Reuters, Trump terá mandato vitalício como presidente do grupo, com amplos poderes, incluindo a palavra final em votações, a escolha dos países convidados e a possibilidade de revogar a participação de membros do conselho. Países que desejarem um assento permanente precisarão pagar uma taxa de US$ 1 bilhão, com os recursos administrados pelo presidente dos EUA.

A proposta é vista com reservas pela comunidade internacional. Há preocupação, especialmente em governos europeus, de que o conselho possa enfraquecer o papel da Organização das Nações Unidas (ONU), tornando-se uma espécie de “ONU paralela”. O rascunho do estatuto do Conselho aborda a necessidade de uma organização de paz mais ágil e eficaz, sugerindo a necessidade de abandonar instituições que fracassaram com frequência, numa crítica velada à ONU.

A criação do conselho foi prevista na segunda fase do acordo de paz mediado pelos EUA, assinado por Israel e pelo Hamas em outubro de 2025. O plano, divulgado pela Casa Branca em setembro, prevê que a Faixa de Gaza seja uma zona livre de grupos armados, sob o comando do governo de transição supervisionado pelo conselho.

Em comunicado, a Casa Branca anunciou os sete membros fundadores do conselho nomeados por Trump, mas não divulgou as responsabilidades específicas de cada um. O presidente americano também designou o major-general Jasper Jeffers para comandar a Força Internacional de Estabilização em Gaza.

Até o momento, 25 países aceitaram o convite para integrar o conselho, incluindo Rússia, que ainda considera a proposta. Noruega, Suécia e Itália recusaram, enquanto outros estão em avaliação. O presidente brasileiro Lula ainda não decidiu se aceitará o convite, o que o coloca numa posição delicada, já que seus posicionamentos anteriores defendem a criação do Estado palestino e criticam as operações militares de Israel.

Não está claro se os palestinos terão participação direta no conselho, o que levanta dúvidas sobre a efetividade da nova entidade.

Créditos: g1

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