Tarcísio de Freitas adia visita a Bolsonaro após tensão com família
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), demonstrava estar estressado com membros da família Bolsonaro antes de adiar a visita que faria ao ex-presidente preso, conforme relatos de aliados.
O adiamento também foi motivado por declarações do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência indicado pelo pai, que teria sinalizado que Tarcísio seria pressionado para abandonar eventuais pretensões nacionais e apoiar mais vigorosamente o projeto da família.
Fontes próximas a Tarcísio, sob condição de anonimato, afirmam que o governador preferiu reconsiderar o momento da visita, inicialmente prevista para 22 de janeiro, mantendo porém o apoio a Bolsonaro. Avalia-se que a desistência evitou antecipar movimentações eleitorais, diante das incertezas sobre a viabilidade da candidatura de Flávio.
As reclamações no entorno de Tarcísio estão ligadas a provocações feitas nas redes sociais por Eduardo e Carlos Bolsonaro, filhos do ex-presidente. Recentemente, eles publicaram mensagens que sugeriam que Tarcísio estaria articulando uma candidatura presidencial, questionando sua lealdade a Bolsonaro. Carlos, sem citar nomes, mencionou uma intenção de “medir forças com o próprio Bolsonaro”.
O ex-presidente cumpre pena de 27 anos por tentativa de golpe de Estado em cela na Papudinha, no Complexo Penitenciário da Papuda, Distrito Federal.
Embora a relação de Tarcísio com Flávio seja descrita como cordial, o “tom duro” do senador nas declarações do dia 20 de janeiro aumentou a insatisfação do governador, que havia confirmado a visita, chamando o encontro de reunião com “um grande amigo” para levar ajuda e reafirmar apoio.
Flávio antecipou, em entrevistas, que Bolsonaro posicionaria Tarcísio a permanecer como governador de São Paulo para garantir um palanque forte para sua campanha, pedindo que deixasse de lado aspirações presidenciais.
“Tarcísio vai ouvir de Bolsonaro que está fazendo um grande trabalho como governador e que sua reeleição é fundamental para a estratégia nacional de derrotar o PT. As eleições presidenciais estão descartadas para ele”, disse Flávio ao jornal O Globo.
Segundo um aliado, Tarcísio sentiu que seria submetido a pressão, algo que não aceita. Há também uma “guerra fria” na família, com conflitos entre os filhos e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), que tem se aproximado de Tarcísio e evita declarar apoio público a Flávio.
O senador e o governador não se manifestaram oficialmente sobre o assunto.
Oficialmente, o adiamento da visita de Tarcísio foi justificado pela necessidade de cumprir compromissos em São Paulo, sem detalhes divulgados, com a promessa de uma nova data.
Um líder do Centrão que atua entre Brasília e São Paulo comentou que, apesar das expectativas sobre uma aliança entre Michelle e Tarcísio para afastar a candidatura de Flávio, as falas do senador indicam que ele permanece na disputa e pretende convencer o pai de sua viabilidade.
Esse representante do Centrão vê Tarcísio como mais competitivo que Flávio devido à rejeição que o senador enfrenta, mas critica a falta de habilidade política do governador.
Tarcísio repete sempre que pretende buscar a reeleição, ainda que também faça discursos sobre temas nacionais e se posicione contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, convocando a direita para unificação contra o PT.
Há quem entenda que Flávio é o adversário mais fácil para Lula vencer, devido à sua alta rejeição, o que poderia beneficiar o atual presidente em uma fragmentação da direita.
Durante 2025, o Centrão trabalhou para viabilizar a candidatura presidencial de Tarcísio, desejando que ele anunciasse essa pretensão antes do fim do ano. Caso concorra, deverá renunciar ao cargo até abril, conforme o calendário eleitoral.
Entre apoiadores de uma candidatura de Tarcísio, há quem avalie que ele demorou a tomar iniciativas decisivas, mas outros acreditam que a candidatura nacional do governador ainda pode ser possível.
Créditos: Valor