Trump inaugura Conselho de Paz para Gaza e critica falta de diálogo com ONU
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, lançou hoje o Conselho de Paz para Gaza durante evento em Davos, sem detalhar o funcionamento do órgão.
Embora tenha afirmado que o conselho trabalhará em parceria com a ONU, Trump criticou a organização, dizendo que ela não conseguiu encerrar oito conflitos, enquanto ele alega ter alcançado essa façanha. “Uma vez formado, o Conselho fará tudo o que quisermos, em conjunto com a Organização das Nações Unidas”, declarou.
Trump também alegou que nunca foi consultado pela ONU sobre os supostos avanços em paz que promoveu. “Sempre disse que a ONU tem um potencial tremendo, que não é explorado. Eles têm pessoas ótimas, mas eu nunca conversei com a ONU sobre as oito guerras que acabei”, afirmou.
O conselho tem o objetivo de deixar Gaza “desmilitarizada, apropriadamente governada e lindamente reconstruída”, segundo o republicano. Ele afirmou que 59 países se comprometeram a participar do comitê, número que supera o divulgado anteriormente, de 35 países.
Trump classificou os ataques e mortes em Gaza como “pequenos incêndios” e destacou que vão ser apagados. Desde o cessar-fogo, 394 pessoas morreram em ataques israelenses, de acordo com levantamento da ONU em 26 de dezembro. Ontem, um ataque matou três jornalistas e outras oito pessoas.
“Temos pequenos incêndios e vamos apagá-los. Eram enormes e agora reduziram para pequenos incêndios”, comentou Trump.
Ele afirmou que membros do Hamas “nascem com armas nas mãos” e que a entrega dessas armas será parte da nova fase do acordo. Especialistas são céticos quanto à disposição do grupo extremista para desarmar.
Entre os presentes na cerimônia estava Javier Milei, presidente da Argentina. O Reino Unido inicialmente sinalizou que não participaria do conselho, manifestando preocupação com a inclusão de Vladimir Putin no grupo.
Dos 50 convites feitos pelos EUA, 35 foram aceitos, incluindo líderes do Oriente Médio e da Otan. Putin, Netanyahu, além de Catar, Egito, Marrocos, Paquistão, Indonésia, Kosovo, Uzbequistão, Cazaquistão, Paraguai e Vietnã estão entre os participantes confirmados.
O presidente brasileiro Lula foi convidado, mas ainda não respondeu. A decisão sobre a participação do Brasil será avaliada com cautela na próxima semana.
Trump, que pleiteia o Nobel da Paz, afirma ter encerrado oito conflitos desde que assumiu, em janeiro de 2025: entre Camboja e Tailândia; República Democrática do Congo e Ruanda; Israel e Hamas; Israel e Irã; Paquistão e Índia; Egito e Etiópia; Armênia e Azerbaijão; Sérvia e Kosovo.
No entanto, nem todos os conflitos estão resolvidos. Na República Democrática do Congo, o grupo armado M23 e o Exército continuam disputas territoriais, mesmo após acordo em Washington. Em Tailândia, conflitos aumentaram em dezembro de 2025. Negociações entre Armênia e Azerbaijão e entre Egito e Etiópia estão incertas.
O conselho, presidido por Trump, integra a segunda etapa do plano de paz dos EUA para encerrar a guerra em Gaza. O órgão deverá supervisionar um comitê de técnicos palestinos responsáveis pela administração temporária e reconstrução do território, afetado por mais de dois anos de bombardeios israelenses.
O poder do presidente americano sobre Gaza será amplo se o conselho se concretizar. Embora tenha recuado de declarações anteriores em que reivindicava a gestão da região para si, Trump terá influência decisiva, já que as decisões dependerão de maioria e de aprovação final dele.
A Casa Branca chamou a criação do conselho de “passo essencial” para a resolução do conflito entre Israel e Hamas. Segundo o governo, a iniciativa visa “promover paz, estabilidade, reconstrução e prosperidade” em Gaza.
Especialistas opinam que o conselho é parte do plano de Trump para diminuir o poder da ONU. A possível natureza permanente do órgão e o convite a líderes de países não diretamente envolvidos no conflito indicam a intenção de criar uma instituição paralela às Nações Unidas, sob sua liderança.
A China, convidada a participar, declarou hoje que defenderá o sistema internacional centrado na ONU. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Guo Jiakun, reforçou que Pequim apoiará a ordem mundial baseada na entidade.
Entre os países convidados, além do Brasil, Argentina e Paraguai, estão França, Alemanha, Polônia, Israel, China, Jordânia, Egito, Turquia e Cazaquistão.
Hoje, a diplomacia saudita anunciou que a Arábia Saudita, Catar, Egito, Jordânia, Emirados Árabes Unidos, Turquia, Indonésia e Paquistão aceitaram o convite para integrar o conselho, elogiando os esforços de Trump pela paz.
Créditos: UOL