Política
09:11

Enamed revela faculdades de medicina focadas em lucro, diz médico

O infectologista e vice-corregedor do Conselho Federal de Medicina (CFM), Francisco Cardoso, afirmou que o resultado negativo do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes de Medicina (Enamed) expôs faculdades de medicina que “visam ao lucro, e não a saúde da população”.

No exame realizado em outubro do ano passado, dos 351 cursos avaliados, 107 apresentaram desempenho insatisfatório, com menos de 60% dos alunos considerados proficientes.

Entre as 304 instituições reguladas pelo Ministério da Educação (MEC), 99 podem sofrer sanções administrativas, que vão desde a proibição de ampliar o número de vagas até a suspensão do vestibular, a depender do percentual de proficiência.

O CFM está avaliando medidas para condicionar o registro de novos médicos à aprovação no Enamed. A proposta prevê que candidatos ao Conselho Regional de Medicina (CRM) apresentem a nota do exame, e só obtenham o registro se forem aprovados.

Cardoso explicou que, em resposta ao projeto do CFM que criaria um “exame da OAB” para medicina, o governo antecipou-se e atribuiu ao MEC a realização de um exame. Segundo ele, o resultado do Enamed foi uma verdadeira catástrofe.

Ele ressaltou que o MEC fez uma análise importante de um problema conhecido, mas até então não mensurado: um terço das faculdades de medicina está extremamente despreparado, e pelo menos 13 mil alunos prestes a se formar foram reprovados em uma prova considerada fácil, cuja média para aprovação era 6.

Sobre as tentativas de algumas faculdades de barrar a divulgação do resultado do Enamed, Cardoso comentou que essas iniciativas geralmente têm o objetivo de evitar prejuízos financeiros.

Ele destacou que as faculdades de medicina faturam bilhões de reais por ano e que a instalação de uma instituição do tipo atrai um ecossistema que inclui comércio, aumento do consumo e maior arrecadação de impostos, sendo um sonho para prefeitos.

Após a repercussão dos resultados do Enamed, o debate sobre a criação de uma avaliação obrigatória semelhante à da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para médicos ganhou força. Enquanto associações universitárias criticam o MEC e questionam a metodologia, entidades médicas como o próprio CFM defendem a adoção desse exame compulsório, tema que está em discussão no Congresso.

Créditos: Revista Oeste

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