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21:07

Trump anuncia estrutura de acordo futuro sobre a Groenlândia

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou em 22 de janeiro que há uma “estrutura de um acordo futuro” referente à Groenlândia.

O anúncio surpreendeu após semanas de tensões crescentes, que em certo momento envolveram ameaças de uso de força militar para tomar o controle do território semiautônomo, pertencente a um aliado da Otan, a Dinamarca.

A questão principal do acordo é o que ele poderá contemplar e se será aceitável para a Dinamarca e a Groenlândia, que afirmaram não abrir mão da soberania sobre a maior ilha do mundo.

Trump fez a declaração após conversas no Fórum Econômico Mundial em Davos, Suíça.

“Com base numa reunião muito produtiva que tive com o primeiro-ministro da Dinamarca, Mark Rutte, formamos a estrutura de um futuro acordo sobre a Groenlândia”, postou o presidente americano em sua plataforma Truth Social.

Trump não detalhou o conteúdo, mas comentou que as discussões seguiriam até o fechamento do acordo.

Mark Rutte disse que não tratou da soberania da Dinamarca sobre a Groenlândia em sua conversa com Trump.

Já a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, afirmou que a Dinamarca está aberta a negociar tudo, exceto sua soberania.

Por sua vez, o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, declarou que a soberania é “uma linha vermelha” e que desconhece os pormenores do provável acordo.

Segundo o jornal The New York Times, autoridades anônimas indicaram que a proposta pode envolver a cessão por parte da Dinamarca da soberania sobre pequenas áreas da Groenlândia, onde os EUA construiriam bases militares.

Essa proposta seria semelhante ao modelo de duas bases militares britânicas em Chipre, que permanecem sob soberania do Reino Unido desde a independência da ilha em 1960.

Não está claro como esse modelo seria aplicado se a Dinamarca e a Groenlândia não abrirem mão da soberania.

Trump justificou seu interesse mencionando a suposta ameaça de navios russos e chineses em torno da ilha, embora a Dinamarca declare que, no momento, essa ameaça não existe.

Aliados da Otan buscaram tranquilizar os EUA, prometendo reforçar a segurança no Ártico. Mark Rutte afirmou que o futuro acordo deverá incluir essa contribuição.

“Não tenho dúvidas de que podemos fazer isso rapidamente”, afirmou em 23 de janeiro, acrescentando a expectativa de conclusão até o início de 2026.

A ministra britânica das Relações Exteriores, Yvette Cooper, disse que o Reino Unido pleiteia a criação de uma Sentinela do Ártico, modelo semelhante à missão da Otan no Báltico para aumentar a vigilância naval na região.

Desde 1951 um acordo permite que os EUA desloquem soldados a Groenlândia sem restrições.

Há uma presença militar americana permanente com mais de 100 soldados na base de Pituffik, no extremo nordeste da ilha.

Assim, as negociações podem focar na renegociação do acordo vigente, segundo autoridades dos EUA.

Entretanto, permanece a insistência de Trump pela posse da ilha.

Para isso, além de ultrapassar as linhas vermelhas da soberania internacionais, seria necessário considerar a proibição constitucional da Groenlândia sobre venda de territórios.

Um possível modelo citado é a base naval americana em Guantánamo, Cuba, que está sob controle total dos EUA desde 1903, por meio de um arrendamento permanente.

Ainda não se sabe se essas são as propostas que motivaram a mudança de postura de Trump em Davos, revogando a ameaça de ação militar para anexar a ilha, o que aliviou aliados da Otan.

A Otan, fundada em 1949, tem como princípio que um ataque a um aliado é considerado ataque a todos.

A Dinamarca já anunciou que um ataque militar de um aliado contra outro resultaria no fim da aliança, liderada pelos EUA.

O anúncio de Trump aconteceu após reunião com Mark Rutte. Isso gerou apreensão na Groenlândia, que teme negociações sobre seu futuro sem sua participação direta.

No dia 23 de janeiro, a ministra das Relações Exteriores da Groenlândia, Vivian Motzfeldt, afirmou que seu governo não autorizou Rutte a negociar em seu nome, mas pediu que ele transmitisse “as linhas vermelhas diretamente para o presidente Trump”.

Rutte não confirmou essa posição e vem sendo criticado por frequentes elogios a Trump.

Trump alega que a Groenlândia é essencial para seus planos de construir um sistema de defesa chamado “Domo de Ouro”, destinado a proteger os EUA contra mísseis russos e chineses, e que seus aliados europeus poderão cooperar.

A ilha tem vastas reservas naturais de minerais raros, muitos essenciais para tecnologias como celulares e veículos elétricos.

Trump não declarou que os Estados Unidos buscam essas riquezas, mas diz que o controle americano da ilha “dá uma posição muito boa, principalmente no que diz respeito segurança e minerais”.

Créditos: BBC News Brasil

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