Política
06:06

Irmãos de Toffoli venderam participação em resort no Paraná após compra pelo fundo ligado ao Master

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), concentrou em sua relatoria todos os processos relacionados ao Banco Master, a partir de dezembro de 2025, abrangendo todas as instâncias da Justiça.

Desde então, algumas decisões tomadas por Toffoli no caso, consideradas incomuns, têm sido alvo de críticas no meio político e jurídico.

Recentemente, foi revelado que fundos associados ao Banco Master adquiriram a participação dos irmãos do ministro em um resort localizado em Ribeirão Claro, Paraná. A transação foi inicialmente divulgada pelo jornal “O Estado de S. Paulo” e confirmada pela TV Globo.

A Polícia Federal, na Operação Compliance Zero, investiga suspeitas de operações financeiras ilegais envolvendo o Banco Master.

Um dos principais apontamentos da PF é que o banco teria emitido R$ 50 bilhões em CDBs oferecendo juros superiores à média de mercado, sem comprovar a liquidez necessária para honrar esses títulos futuramente.

Para fortalecer essa falsa impressão de liquidez, o Master aplicou parte do dinheiro obtido com os CDBs em ativos inexistentes, comprando créditos de uma empresa chamada Tirreno.

O proprietário do banco, Daniel Vorcaro, chegou a ser preso nessa operação, mas foi liberado pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) sob a condição de usar tornozeleira eletrônica e comparecer periodicamente à Justiça, enquanto as investigações prosseguiam.

O resort em questão se chama Tayayá. Os irmãos de Toffoli, José Carlos e José Eugênio, foram sócios do empreendimento entre dezembro de 2020 e fevereiro de 2025.

A participação deles ocorreu por meio da empresa Maridt Participações, constituída por eles com capital social inicial de R$ 150, registrada na Receita Federal.

Os negócios envolveram as companhias Tayayá e DGEP Empreendimentos, ambas parte da estrutura do resort e fundadas pelo primo de Toffoli, Mario Umberto Degani.

Na Junta Comercial do Paraná, consta apenas a compra das cotas no Tayayá, sem informar o valor pago pelos irmãos de Toffoli.

Em relação à aquisição das cotas da DGEP, consta que a operação foi realizada por “compensação de crédito” que a empresa Maridt tinha contra a sociedade do resort, implicando que, naquele momento, o empreendimento tinha créditos com a Maridt que foram convertidos em participação societária.

A Reag, operadora de fundos investigados no caso Master, é suspeita pelas autoridades de participar junto com o banco em um esquema de operações trianguladas para gerar lucro artificial.

Em agosto do ano anterior, a Reag foi alvo da operação Carbono Oculto, uma grande ação contra o crime organizado envolvendo lavagem de dinheiro da facção PCC.

Um dos fundos da Reag, chamado Arleen, comprou dos irmãos de Toffoli a participação no Tayayá e na DGEP.

De acordo com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o fundo Arleen investiu ao todo R$ 20 milhões nesses empreendimentos.

O fundo adquiriu parte das cotas dos irmãos de Toffoli em setembro de 2021, pagando mais de R$ 3 milhões pela metade das participações.

Como o valor pago originalmente pelos irmãos não consta nos documentos oficiais, não se sabe se eles tiveram lucro com a transação.

Os irmãos mantiveram uma fração da participação no resort, permanecendo sócios junto com o fundo Arleen de setembro de 2021 até 2025.

A venda integral da participação pela família Toffoli ocorreu em fevereiro de 2025, e o fundo Arleen deixou a sociedade em julho de 2025.

O endereço da Maridt consta como sendo a residência de José Eugênio Toffoli na cidade de São Paulo. O jornal “O Estado de S. Paulo” visitou o local e confirmou que ele ainda mora com sua esposa, Cássia Pires Toffoli.

Ela declarou que desconhece que a casa tenha sido sede da empresa Maridt e negou conhecimento de qualquer ligação do marido com o resort.

Recentemente, o jornal “O Globo” divulgou que o STF pagou 128 diárias para seguranças em viagens para a região do resort Tayayá entre 2022 e 2025, incluindo feriados, finais de semana prolongados e recesso do Judiciário.

O custo total dessas diárias chegou a R$ 460 mil. Normalmente, os ministros do Supremo viajam acompanhados de segurança.

De decisões de Toffoli que geraram polêmica no caso Master, destacam-se aquelas ressaltando sua relatoria exclusiva e medidas consideradas incomuns, além da conexão com os negócios envolvendo seus irmãos e o resort no Paraná.

Créditos: G1

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