TRT-2 pagou segurança em resort ligado a irmão de Toffoli por 125 dias
Dados do TRT-2 indicam que membros do STF passaram pelo menos 125 dias em Ribeirão Claro (PR), município onde fica o Resort Tayayá. Esse resort está envolvido em uma transação entre o cunhado do dono do Banco Master e irmãos do ministro Dias Toffoli, do STF.
As viagens ocorreram entre dezembro de 2022 e agosto de 2025. Os dados do TRT-2 não especificam quais integrantes do STF estiveram presentes nas viagens, apenas informam o pagamento de diárias para “apoio em segurança e transporte ao Supremo Tribunal Federal, na cidade de Ribeirão Claro/PR”.
Ao todo, 25 agentes prestaram serviço em 16 ocasiões diferentes. O TRT-2 pagou um total de 595 diárias que ultrapassaram R$ 450 mil. Essas informações, inicialmente divulgadas pelo portal Metrópoles, foram confirmadas pelo UOL.
Outros ministros do STF tiveram agendas oficiais em outras cidades nas mesmas datas. Há registros de compromissos de Cármen Lúcia, Cristiano Zanin, Edson Fachin e Luiz Fux em Brasília, Minas Gerais, São Paulo, Peru e Colômbia em 9 das 16 datas em que o TRT-2 deslocou segurança para Ribeirão Claro.
STF e TRT-2 não se manifestaram sobre o assunto até o momento.
A empresa Maridt Participações, na qual estão envolvidos irmãos de Toffoli, foi proprietária de um terço do Resort Tayayá, conforme apontado pelo jornal Estadão. Em 2021, a empresa vendeu sua parte para um fundo ligado ao empresário Fabiano Zettel, que é cunhado de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O último lote de ações da Maridt no resort foi vendido em fevereiro de 2025.
Fabiano Zettel foi preso em 14 de janeiro numa operação da Polícia Federal que investiga irregularidades no Banco Master, mas foi liberado em seguida. Toffoli determinou a apreensão de seu passaporte e proibiu sua saída do país.
A condução da investigação sobre o Banco Master pelo ministro Toffoli tem sido marcada por polêmicas. O caso foi trazido para o STF em dezembro, após pedido da defesa de Vorcaro. Ele estava preso desde novembro e foi solto após dez dias. A investigação, inicialmente na Justiça Federal de Brasília, envolvia fraude em negócios com o BRB.
A Polícia Federal não identificou ligação entre as investigações e pessoas com foro privilegiado, embora tenha encontrado documento relacionado a um deputado, considerado sem relação direta com o caso Master.
Posteriormente, Toffoli determinou o envio de outras investigações sobre o banco ao STF, incluindo uma em São Paulo que antes não tramitava em instância com foro privilegiado.
Em novembro, Toffoli viajou para Lima, no Peru, para assistir a final da Libertadores num jatinho do empresário Luiz Oswaldo Pastore. O advogado de um dos diretores investigados no Master, Augusto Arruda Botelho, também estava na aeronave.
O ministro decretou sigilo absoluto sobre a investigação, tornando partes do processo inacessíveis ao público. Com a repercussão, ele divulgou algumas decisões, como a realização de acareação entre investigados.
A acareação foi marcada para a véspera do Réveillon, período de recesso no Judiciário, o que causou desconforto entre servidores do Banco Central envolvidos no caso, por receio de estarem sob investigação.
O Banco Central recorreu para suspender a acareação, mas Toffoli negou o pedido, afirmando que os servidores não eram investigados. Na sequência, o diretor do Banco Central foi dispensado da acareação, que ouviu depoimentos de Vorcaro e do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa.
Durante o depoimento de Vorcaro em 30 de dezembro no STF, houve confronto entre a delegada da PF Janaína Palazzo e um juiz auxiliar do gabinete de Toffoli, que havia encaminhado uma lista de perguntas para a delegada no depoimento.
O caso tem gerado debate e atenção na Justiça Federal e no Supremo Tribunal Federal.
Créditos: UOL