PF cumpre mandados no Rio contra presidente e diretores do Rioprevidência
A Polícia Federal (PF) iniciou nesta sexta-feira (23) a Operação Barco de Papel, no Rio de Janeiro, para investigar o Banco Master. A ação tem como alvos o presidente e diretores do Rioprevidência, órgão responsável pela previdência dos servidores públicos do estado do RJ.
A PF saiu para cumprir 4 mandados de busca e apreensão expedidos pela 6ª Vara Federal Criminal no Rio. Segundo a corporação, o objetivo é apurar suspeitas de operações financeiras irregulares que colocaram o patrimônio da autarquia sob risco elevado e incompatível com sua finalidade.
O Rioprevidência é o fundo que gerencia o pagamento de aposentadorias e pensões para cerca de 235 mil servidores inativos e seus dependentes. Em recentes anos, o Rioprevidência fez aportes de aproximadamente R$ 1 bilhão em fundos ligados ao Banco Master.
A investigação, aberta em novembro de 2025, apura nove operações financeiras realizadas entre novembro de 2023 e julho de 2024, que resultaram na aplicação de cerca de R$ 970 milhões em Letras Financeiras emitidas por banco privado.
Entre os locais alvo dos mandados estão a casa do presidente da autarquia, Deivis Marcon Antunes, no bairro de Botafogo, e a sede do Rioprevidência, no Centro do Rio. Antunes não estava no endereço e viajou para os Estados Unidos no dia 15. Também são alvos Eucherio Lerner Rodrigues, ex-diretor de investimentos, e Pedro Pinheiro Guerra Leal, ex-diretor interino de investimentos.
Em reportagem anterior, o Rioprevidência declarou que aplicou aproximadamente R$ 970 milhões em Letras Financeiras do Banco Master entre outubro de 2023 e agosto de 2024, com prazos de vencimento previstos para 2033 e 2034. O órgão afirmou estar negociando a substituição dessas letras por precatórios federais.
O Tribunal de Contas do RJ (TCE-RJ) alertou em maio para graves irregularidades nesses investimentos e proibiu o Rioprevidência de realizar novas aplicações com o Banco Master, por meio de uma tutela provisória com apensação para aprofundar a investigação criminal.
Relatórios do TCE indicam que o fundo estadual aplicava recursos arrecadados por descontos em folha no mercado financeiro. Até julho, cerca de R$ 2,6 bilhões – cerca de 25% do patrimônio – estavam investidos em fundos administrados pelo Banco Master.
Um dos fundos, o Arena Fundo de Investimento, teve aporte inicial de R$ 50 milhões no dia 19 de dezembro, um dia depois do início de suas operações, e seguiu recebendo aportes sucessivos, sendo o Rioprevidência o único cotista.
Segundo o TCE, a rentabilidade média desse fundo foi de 4,05%, inferior à poupança (5,47%) e distante do CDI (9,31%), indicando ausência de vantajosidade. Também foram identificados aportes acima de R$ 300 milhões em letras financeiras sem informações disponíveis, considerados empréstimos a instituições financeiras em troca de juros.
Outro exemplo citado pela corte foi um investimento de R$ 100 milhões que, em um mês, caiu para R$ 75 milhões, evidenciando, segundo o TCE, uma gestão possivelmente irresponsável dos recursos públicos do regime previdenciário.
Em resumo, a operação da PF visa apurar possíveis irregularidades envolvendo operações financeiras que prejudicaram a segurança do fundo previdenciário responsável pelo pagamento a milhares de servidores inativos do Rio de Janeiro.
Créditos: G1