Vorcaro afirma que plano do Banco Master era totalmente baseado no FGC
O banqueiro Daniel Vorcaro reconheceu em um depoimento à Polícia Federal que o Banco Master enfrentava uma crise de liquidez e que seu modelo de negócio era inteiramente fundamentado no Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Esse fundo, mantido pelo setor financeiro, tem a função de ressarcir investidores em casos de falência, intervenção ou liquidação bancária, situação pela qual passou o Master.
Vorcaro defendeu que, apesar dessa dependência do FGC, o banco sempre cumpriu seus compromissos financeiros. Segundo ele, o Master “sempre foi solvente” e possuía um ativo superior ao passivo.
Em seu depoimento, obtido pelo Estadão, Vorcaro explicou que o plano de negócio do Banco Master era 100% baseado no FGC, descrevendo isso como a “regra do jogo” na época. Ele ressaltou que essa regra mudou quando o banco já estava em expansão.
Essas declarações foram feitas no Supremo Tribunal Federal (STF) no dia 30 de dezembro, no âmbito de um inquérito que investiga possíveis crimes financeiros relacionados à tentativa de venda do Master ao Banco Regional de Brasília (BRB).
Durante o interrogatório, a delegada Janaína Palazzo questionou Vorcaro sobre a falta de recursos para honrar compromissos e ele atribuiu a crise de liquidez à alteração das regras do FGC, motivada, segundo ele, por “pressão dos grandes bancos”.
Ele afirmou que isso afetou a captação do banco, já que desde 2018, o plano de negócios apresentado ao Banco Central era baseado no FGC.
Por conta disso, o Banco Master passou a buscar outras formas de financiamento para manter suas operações, momento em que teria começado uma campanha reputacional negativa contra a instituição.
Vorcaro relatou ainda que, diante da pressão sobre a liquidez, fez várias tentativas junto ao Banco Central para encontrar soluções que evitassem prejuízos maiores para o mercado.
No dia 23 de janeiro, o Conselho Monetário Nacional aprovou que o conselho do FGC possa recomendar ajustes nas contribuições das instituições associadas sempre que julgar necessário.
Recentemente, o FGC iniciou o pagamento das garantias aos credores do Banco Master. Cerca de 800 mil credores terão direito a esses pagamentos, que totalizam R$ 40,6 bilhões.
Créditos: Estadão