Notícias
12:06

Americano morto por agente do ICE segurava celular, não arma, dizem vídeos

Um homem americano, Alex Pretti, de 37 anos, foi morto no sábado (24) por um agente de imigração do Departamento de Segurança Interna (DHS) dos EUA. Pretti era cidadão americano, enfermeiro de UTI e trabalhava em um hospital do Departamento de Assuntos de Veteranos.

Autoridades federais afirmaram que Pretti estava armado e teria sacado a arma durante a abordagem. No entanto, vídeos de testemunhas analisados por agências de notícias e pelo “New York Times” contradizem essa versão.

As imagens mostram que Pretti segurava um celular enquanto filmava a ação dos agentes. Em certo momento, ele se posiciona entre um agente e mulheres atingidas por spray de pimenta. Depois, é derrubado e imobilizado no chão, onde foi cercado.

Segundo o “New York Times”, a arma que Pretti tinha estava escondida e só foi encontrada pelos agentes após ele estar no chão. Dois agentes dispararam tiros que atingiram Pretti nas costas enquanto ele estava caído. A polícia de Minneapolis confirmou que ele possuía autorização legal para porte velado da arma e não tinha antecedentes criminais graves, apenas infrações de trânsito.

O Departamento de Segurança Interna afirmou que Pretti atacou os agentes e que o disparo ocorreu em legítima defesa. A secretária do DHS, Kristi Noem, declarou que Pretti não estava para protestar pacificamente, mas para perpetuar violência. Já autoridades locais de Minnesota reagiram contrariadas. O governador Tim Walz classificou as imagens como revoltantes e disse não confiar no governo federal para conduzir a investigação. O chefe de polícia de Minneapolis confirmou que Pretti era proprietário legal da arma e cidadão sem histórico criminal relevante.

O prefeito da cidade, Jacob Frey, questionou quantas mortes mais serão necessárias para encerrar operações federais na cidade. O presidente Donald Trump apoiou os agentes, divulgando a foto da arma de Pretti e criticando o governador e prefeito de Minneapolis.

A família de Pretti disse ter recebido a notícia por um repórter e comentou estar de coração partido e muito zangada. Em nota, classificaram como “mentiras repugnantes” a versão de que ele atacou os agentes, afirmando que os vídeos mostram que ele estava apenas com um celular e tentando proteger uma mulher atingida por spray de pimenta.

A morte gerou protestos em Minneapolis em temperaturas negativas, com confrontos entre manifestantes e agentes federais, que reagiram com spray de pimenta, gás lacrimogêneo e granadas de efeito moral. A Guarda Nacional de Minnesota foi acionada para ajudar. O Instituto de Artes de Minneapolis fechou as portas por segurança, e a NBA adiou um jogo do Minnesota Timberwolves. Protestos também ocorreram em outras cidades americanas.

O incidente intensificou o conflito entre os governos estadual e federal, com Minnesota liderando a investigação. Autoridades locais pedem a retirada das forças federais de imigração da cidade, que permanece em clima tenso. Líderes democratas em Washington estão propondo bloqueios nas verbas do DHS e ICE, o que pode acarretar em impasse orçamentário no Congresso.

Créditos: G1

Modo Noturno