Governo Trump exige dados eleitorais para retirada de agentes ICE em Minneapolis
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos solicitou ao governo de Minnesota os dados dos eleitores do estado para que seus agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) recuem em Minneapolis, informaram autoridades locais.
O pedido ocorre em meio a tensões crescentes entre agentes do ICE e a população de Minneapolis, que desencadearam protestos, confrontos nas ruas e duas mortes. No sábado (24/1), um enfermeiro que protestava contra a agência foi morto a tiros durante as manifestações. No início de janeiro, um agente federal matou uma mulher a tiros durante uma abordagem em um bairro.
A carta enviada pelo Departamento de Justiça sob o governo Trump levanta questionamentos sobre os objetivos da Casa Branca na operação contra Minnesota. Desde dezembro, o ICE conduz uma grande operação nas cidades de Minneapolis e Saint Paul, chamadas “Cidades-Irmãs”, com foco no combate à imigração irregular, segundo o Departamento de Segurança Interna.
A truculência dos agentes na operação provocou revolta na população, com amplas manifestações contra a mobilização federal e confrontos entre civis e agentes, que resultaram em duas mortes.
Minnesota é um estado que elegeu candidatos democratas nas últimas dez eleições presidenciais desde a década de 1980. Joe Biden venceu Trump por lá em 2020, e Kamala Harris fez o mesmo em 2024. O estado, atualmente governado pelo democrata Tim Walz, terá eleições para governador em novembro, alternando historicamente os mandatos entre democratas e republicanos.
Até a última atualização da reportagem, o governo Trump não se manifestou oficialmente sobre a resposta do secretário Simon.
Na carta encaminhada ao governo de Minnesota, a procuradora-geral Pam Bondi acusou a gestão de Walz de “se recusar a fazer cumprir a lei” e proteger os agentes do ICE. Ela apresentou três exigências para “restaurar o Estado de direito e pôr fim ao caos em Minnesota”.
Bondi exibiu a carta em entrevista à Fox News no sábado, horas após a morte do enfermeiro Alex Pretti. Ela classificou o documento como “uma carta com linguagem muito forte” e acusou o governo estadual de proteger assassinos e estupradores. Questionada sobre possíveis consequências para o estado caso não houvesse cooperação, afirmou que “esta é uma situação fluida” e que “veremos sua resposta”.
A operação do ICE perdeu destaque nacional e internacional após a morte de Renee Nicole Good, cidadã norte-americana, em 7 de janeiro, baleada por um agente durante uma abordagem. O agente alegou que ela avançou contra ele com o veículo. Autoridades do governo Trump, incluindo o presidente, reforçaram essa versão, mas vídeos mostram que o agente Jonathan Ross não foi atingido pelo carro antes do disparo.
A morte de Renee provocou grandes protestos em Minneapolis e exigências do prefeito Jacob Frey e do governador Tim Walz pela saída do ICE da cidade. A agência mantém a operação chamada “Operation Metro Surge”, iniciada em dezembro de 2025, com relatos de detenções inclusive de cidadãos somalis legais.
Em 24 de janeiro de 2026, o enfermeiro Alex Pretti, de 42 anos, foi morto em tiroteio com a Patrulha de Fronteira durante uma batida do ICE. Pretti trabalhava em uma clínica comunitária e tentou proteger pacientes. A ocorrência desencadeou greves de professores, fechamento de escolas e ações judiciais do estado contra o governo federal.
Créditos: G1