Internacional
18:04

Governo Trump nega agressão em morte de enfermeiro pela Patrulha de Fronteira

Funcionários do governo do presidente Donald Trump responderam à morte do enfermeiro Alex Pretti, ocorrida pela Patrulha de Fronteira em Minneapolis, com alegações que são contraditas por vídeos ou carecem de evidências até o momento.

A administração Trump afirmou que Pretti “atacou” os agentes, mas as filmagens não mostram agressão por parte dele.

Kristi Noem, secretária de Segurança Interna dos EUA, declarou aos repórteres que “este indivíduo impediu os agentes da lei e os atacou”, repetindo a expressão para reforçar seu ponto.

Noem também afirmou que Pretti estava “empunhando” uma arma, porém nenhuma das imagens disponíveis mostra que ele segurava uma arma; um agente federal aparentemente retirou uma arma da cintura de Pretti momentos antes do disparo.

Kash Patel, diretor do FBI, quando questionado sobre o tiroteio em entrevista à Fox News, disse: “Você não pode atacar agentes da lei neste país sem sofrer consequências”.

Os pais de Pretti divulgaram um comunicado condenando as “mentiras repugnantes” do governo sobre a morte do enfermeiro.

Em entrevistas, a administração Trump evitou repetir algumas acusações mais inflamadas sobre Pretti, que atuava como enfermeiro registrado em uma unidade de terapia intensiva do Departamento de Assuntos dos Veteranos dos EUA.

Patel sugeriu que Pretti quebrou a lei ao portar uma arma escondida durante um protesto, mas o chefe da polícia de Minneapolis afirmou que Pretti possuía porte de arma e autorização para portá-la, já que participava do protesto em local público.

Diversos vídeos mostram Pretti orientando o trânsito numa operação de fiscalização de imigração, repreendendo um agente federal para que este não empurrasse pessoas para a via.

Ele segurava um celular, aparentemente filmando os agentes, e se colocou diante de um agente para intervir quando ele empurrou uma mulher ao chão; Pretti fez breve contato com o agente usando seu braço direito e mão esquerda.

O agente então aplicou spray químico nele e o arrastou ao chão, enquanto outros oficiais se juntavam à confusão; Pretti pareceu resistir e um agente o golpeou várias vezes no chão.

Gregory Bovino afirmou em entrevista à CNN que Pretti “agrediu oficiais federais”, mas não detalhou nenhum momento nas imagens que comprovasse essa afirmação.

Noem disse que Pretti “estava armado e portava dezenas de munições com a intenção de ferir os policiais, empunhando a arma”.

Ignorando a intenção alegada, que será abordada separadamente, essa afirmação é confrontada pelos vídeos, que não mostram Pretti segurando ou empunhando a arma em nenhum momento.

“Não tenho evidência que sugira que a arma foi empunhada”, declarou Brian O’Hara, chefe da polícia de Minneapolis, em entrevista à CBS.

Antes do tiroteio, imagens mostram Pretti carregando um celular e nada na outra mão.

Registros indicam que um agente federal removeu a arma da cintura de Pretti enquanto ele estava no chão, pouco antes do disparo.

O’Hara também confirmou que Pretti, cidadão americano, possuía licença para porte velado e estava legalmente armado no local.

Contudo, Patel afirmou durante entrevista na Fox News que “não se pode levar uma arma carregada com múltiplos carregadores para qualquer protesto”.

Ele acrescentou: “Ninguém que deseja ser pacífico aparece num protesto armado com dois carregadores cheios”.

Não existem leis estaduais em Minnesota ou federais que proíbam o porte de arma velada em protestos pacíficos.

O Minnesota Gun Owners Caucus respondeu a Patel no X (antigo Twitter), afirmando que sua declaração é incorreta conforme a lei do estado.

Segundo a organização, “não há proibição para portadores licenciados carregar arma com múltiplos carregadores em protestos em Minnesota”.

Outra entidade, Gun Owners of America, declarou: “A Segunda Emenda protege o direito dos americanos de portar armas durante protestos — um direito que o governo federal não deve violar.”

Créditos: CNN Brasil

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