Lula adota solução salomônica para convite de Trump e destaca papel do Itamaraty
O presidente Lula recebeu um convite do presidente Donald Trump para integrar o Conselho da Paz, um órgão do qual Trump pretende ser um tipo de imperador vitalício. Inicialmente, Lula demorou a responder e, antes de fazer uma ligação para Trump nesta segunda-feira (26), criticou as pretensões imperialistas do mandatário dos Estados Unidos.
No telefonema com Trump, Lula optou pela solução salomônica: não afirmou uma aceitação incondicional nem rejeitou o convite, como esperavam os petistas mais radicais. Ele solicitou marcar uma reunião presencial e adiantou que só aceitaria a participação se o conselho se restringisse à reconstrução da Faixa de Gaza.
Essa postura está mais alinhada com o comportamento tradicional do Itamaraty do que com os conselheiros externos de Lula, refletindo o estilo do chanceler Mauro Vieira, em oposição ao assessor especial Celso Amorim. A resposta significou nem uma aceitação completa, nem uma ruptura total.
O episódio do tarifaço, que ainda causa impactos nas empresas gaúchas, reforçou a necessidade de compreender os impulsos e os recuos de Trump para lidar adequadamente com ele.
Lula indica que o Brasil pode colaborar no esforço de reconstrução de Gaza, desde que haja garantias de respeito aos direitos palestinos. A principal discordância em relação à proposta de Trump é a ampliação do Conselho da Paz para outros conflitos, o que reduziria o papel da ONU e das instituições multilaterais.
Além disso, Lula usou o convite para avançar na organização de sua visita à Casa Branca, enfatizando temas comuns aos dois países, como o combate ao narcotráfico. Na possível reunião presencial, é esperado que façam parte da agenda também os minerais críticos, visando uma parceria estratégica entre Brasil e Estados Unidos, sem abrir portas para uma exploração indiscriminada por empresas americanas.
Créditos: GZH