Lula propõe a Trump que Conselho de Paz aborde Gaza e inclua Palestina
Em um telefonema realizado na segunda-feira (26), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva propôs a Donald Trump que o Conselho de Paz criado pelo ex-presidente americano se limite às questões referentes à Faixa de Gaza e preveja a inclusão da Palestina como membro, um ponto que atualmente está excluído.
O Brasil ainda não confirmou se participará do grupo formado pelo republicano, com uma tendência à negativa. A estrutura original do Conselho permite que os países sugiram modificações, mas essas alterações precisam da aprovação do presidente dos EUA, que permanecerá no cargo por pelo menos mais três anos, além de estar sujeito ao veto norte-americano sobre decisões dos outros membros.
De acordo com a Folha, o governo brasileiro tem resistências à proposta, principalmente devido à ausência de menção direta à Faixa de Gaza e à concentração de poderes nas mãos de Trump. A conversa entre os líderes era esperada.
Num contato telefônico de 50 minutos, Lula e Trump trataram de diversos temas relacionados à relação bilateral e a temas globais, incluindo estratégias para combater o crime organizado. Também discutiram indicadores econômicos dos dois países e a relação entre eles.
Segundo comunicado oficial do governo brasileiro, Lula expressou interesse em fortalecer a cooperação no combate à lavagem de dinheiro, ao tráfico de armas, e sugeriu medidas como o congelamento de bens de grupos criminosos e a troca de informações sobre transações financeiras. A proposta foi bem acolhida pelo presidente americano.
Referindo-se ao Conselho de Paz, Lula destacou a necessidade de uma reforma ampla na Organização das Nações Unidas, especialmente para ampliar o número de membros permanentes no Conselho de Segurança.
Os presidentes também trocaram opiniões sobre a situação na Venezuela. Lula ressaltou a importância de manter a paz e a estabilidade na região, assim como o bem-estar dos venezuelanos, após os recentes ataques do governo americano ao país e as tentativas de destituir Nicolás Maduro.
Ambos concordaram com a perspectiva de uma visita de Lula a Washington, prevista para ocorrer após os compromissos do brasileiro na Índia e na Coreia do Sul em fevereiro, com a data ainda a ser definida.
Desde o convite de Trump para integrar o Conselho, Lula tem dialogado com líderes globais, incluindo Mahmoud Abbas, da Autoridade Nacional Palestina, com quem conversou em 22 de janeiro sobre a situação em Gaza. Lula também discutiu o tema com Xi Jinping, Narendra Modi e Recep Tayyip Erdogan.
A ligação com Trump acontece poucos dias após Lula manifestar que a criação do Conselho seria uma tentativa do ex-presidente americano de fundar uma nova ONU, da qual ele seria o principal controlador.
Créditos: Folha de S.Paulo