Irã retoma bloqueio do Estreito de Ormuz após posição dos EUA

Neste sábado, 18 de abril de 2026, a Guarda Revolucionária do Irã anunciou que voltou a fechar o Estreito de Ormuz. A decisão ocorreu após o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar que o bloqueio americano aos portos iranianos “permanecerá em pleno vigor” enquanto não houver um acordo entre Washington e Teerã, inclusive sobre o programa nuclear iraniano.
A Guarda Revolucionária informou que “o controle do Estreito de Ormuz voltou ao seu estado anterior” e que continuará o bloqueio enquanto a restrição dos EUA estiver vigente.
Essa disputa pelo estreito pode agravar a crise energética global, já que cerca de um quinto do petróleo mundial é transportado por essa rota estratégica. Na sexta-feira, os preços do petróleo caíram diante da expectativa de um possível acordo entre os países. No entanto, novas restrições podem reduzir a oferta e pressionar os preços novamente.
O controle do Estreito de Ormuz tem sido usado pelo Irã como instrumento de pressão, o que levou os EUA a enviarem forças militares e estabelecerem um bloqueio aos portos iranianos. Essa medida busca forçar o Irã a aceitar um cessar-fogo mediado pelo Paquistão, encerrando quase sete semanas de conflito envolvendo Israel, Estados Unidos e Irã.
Anteriormente, o Irã havia informado que o Estreito estava totalmente aberto para embarcações comerciais após uma trégua de 10 dias entre Israel e o Hezbollah, grupo apoiado por Teerã no Líbano. Contudo, depois da declaração de Trump sobre a manutenção do bloqueio, autoridades iranianas afirmaram que a posição dos EUA viola o acordo de cessar-fogo firmado e alertaram que a passagem não permaneceria aberta nessas condições.
Dados da empresa Kpler indicam que o tráfego na região continua restrito a corredores autorizados pelo governo iraniano. Desde o início do bloqueio, na segunda-feira, 13, o Comando Central dos EUA informou que forças americanas já obrigaram 21 navios a retornarem.
A trégua no Líbano pode facilitar avanços nas negociações entre Estados Unidos e Irã, porém ainda não está claro o grau de comprometimento do Hezbollah, que não participou diretamente dos acordos e cuja presença israelense no sul do país foi mantida.
O presidente Trump declarou que Israel está “proibido” de realizar novos ataques ao Líbano, afirmando que “já basta” em relação ao conflito com o Hezbollah. O Departamento de Estado dos EUA esclareceu que essa restrição vale apenas para ataques ofensivos, não afetando ações de autodefesa.
Pouco antes, o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, afirmou que aceitou o cessar-fogo “a pedido do presidente Trump”, mas ressaltou que a campanha contra o Hezbollah não foi concluída, já que cerca de 90% do arsenal do grupo foi destruído e operações continuam.
Em Beirute, famílias deslocadas começaram a retornar ao sul do Líbano e aos subúrbios, apesar dos alertas para aguardar a consolidação da trégua. O Exército libanês e forças de paz da ONU relataram bombardeios esporádicos após o início da trégua.
A finalização do conflito entre Israel e Hezbollah era uma das principais demandas do Irã nas negociações. Teerã acusou Israel de violar cessar-fogo anteriores com ataques ao Líbano, enquanto o governo israelense argumentou que o acordo não cobria esse território.
Os combates já resultaram em pelo menos 3.000 mortos no Irã, mais de 2.290 no Líbano, 23 em Israel e dezenas nos países árabes do Golfo, além de 13 militares americanos mortos.
O ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Ishaq Dar, afirmou na sexta-feira, 17, que um acordo entre EUA e Irã está “muito próximo” e que diplomatas paquistaneses trabalham para superar as divergências entre os dois países.
(Com agências internacionais)
Créditos: Tribuna do Norte