Cultura
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Luiz Carlos Barreto, gigante do cinema brasileiro, morre aos 98 anos

Luiz Carlos Barreto, gigante do cinema brasileiro, morre aos 98 anos

Luiz Carlos Barreto, conhecido como Barretão, faleceu nesta quarta-feira, 22, aos 98 anos, encerrando a trajetória de uma das figuras mais importantes do cinema brasileiro nas últimas décadas. Produtor, diretor, fotógrafo e empresário, ele participou de obras que marcaram diferentes gerações e momentos históricos do audiovisual nacional.

Barretão esteve à frente de diversos filmes que bateram recordes de bilheteria, receberam indicações ao Oscar e se tornaram referências culturais. Atuou como produtor, diretor, roteirista e diretor de fotografia em vários desses projetos. A seguir, destacam-se alguns dos principais filmes de sua carreira:

“Vidas Secas” (1963) – Antes de consolidar-se como produtor, Barretão assinou a direção de fotografia dessa adaptação do clássico de Graciliano Ramos. O filme retrata a difícil jornada de Fabiano, Sinhá Vitória, seus dois filhos e a cachorra Baleia pelo sertão nordestino, enfrentando seca, fome e desigualdades sociais, mostrando a luta pela dignidade em meio à pobreza extrema.

“Terra em Transe” (1967) – Barretão voltou a assinar a fotografia nesta produção que mostra a disputa pelo poder no fictício país sul-americano Eldorado. A história acompanha o poeta e jornalista Paulo Martins, que, ao romper com antigos aliados políticos, se une à oposição em meio a conflitos e interesses pessoais em um cenário instável.

“Dona Flor e Seus Dois Maridos” (1976) – Como produtor, Barretão participou dessa adaptação dirigida por seu filho Bruno Barreto, com roteiro elaborado por Eduardo Coutinho e Bruno Barreto. Ambientada na Bahia dos anos 1940, a trama acompanha Dona Flor, que após a morte do marido Vadinho, enfrenta o retorno do espírito dele, criando um conflito entre estabilidade e paixão.

“Bye Bye Brasil” (1980) – Barretão produziu esse filme que percorre diferentes regiões do Brasil com a Caravana Rolidei, um grupo de artistas itinerantes. Durante a viagem, o grupo é acompanhado por um sanfoneiro e sua esposa, revelando as transformações sociais, culturais e econômicas do país.

“O Quatrilho” (1995) – Situado no interior do Rio Grande do Sul no início do século 20, o filme narra a história de dois casais de imigrantes italianos que dividem a mesma casa. A convivência muda quando surge um romance inesperado entre os casais, provocando consequências profundas na vida de todos.

“O Que É Isso, Companheiro?” (1997) – Indicado ao Oscar de Melhor Filme Internacional, esse filme acompanha dois jovens que participam da luta armada contra a ditadura militar brasileira. Após a prisão de um integrante do grupo, eles planejam sequestrar o embaixador dos Estados Unidos no Brasil para negociar a libertação de presos políticos.

“Última Parada 174” (2008) – Inspirado na vida de Sandro, o longa retrata episódios de violência e exclusão social desde a infância do protagonista, que perde a mãe cedo e vive nas ruas do Rio de Janeiro, enfrentando abandono, drogas e a Chacina da Candelária, enquanto sonha em se tornar compositor de rap.

“Lula, o Filho do Brasil” (2009) – Produzido por Barretão, o filme conta a infância e juventude de Luiz Inácio Lula da Silva, desde o nascimento em Pernambuco até a mudança para São Paulo. A obra aborda os desafios de dona Lindu para criar os filhos sozinha, a pobreza, migração e a convivência com um pai ausente e violento, revelando a formação pessoal de Lula.

Créditos: Tribuna do Norte

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