Economia
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Aluguéis sobem em Currais Novos e pressionam orçamento da população

Aluguéis sobem em Currais Novos e pressionam orçamento da população

O município de Currais Novos, localizado no Seridó potiguar, está passando por um forte crescimento econômico nos últimos cinco anos. Novos empreendimentos nos setores de mineração, energias renováveis e construção civil têm atraído profissionais e aumentado a demanda por aluguel de residências e espaços comerciais, o que elevou os preços dos aluguéis na região e impacta o orçamento de estudantes, trabalhadores e famílias.

José da Silva, autônomo, relata que o aluguel de sua casa no bairro Santa Maria Gorete subiu de R$ 600, em 2022, para R$ 1.100 em 2026, um aumento de 83,3% em quatro anos. Ele permanece no imóvel por não encontrar opções mais acessíveis em áreas centrais, apesar do acréscimo mensal de R$ 500, que representa R$ 6 mil anuais sem contar futuros reajustes.

A estudante Eduarda Cavalcante relata que há seis meses busca uma kitnet ou casa pequena para morar, mas os valores são altos. Encontrou o imóvel mais barato por R$ 750, com apenas dois cômodos, o que considera elevado tendo em vista despesas básicas como alimentação e contas. Ela relaciona o aumento dos preços ao crescimento da mineração de ouro no município a partir de 2025, que trouxe profissionais para construção da estrutura da atividade.

Débora Gabriele, outra estudante, também busca moradia há dois meses e afirma que os aluguéis começam em R$ 900. Para ela, os valores dificultam o equilíbrio das despesas básicas junto ao pagamento do aluguel.

O eletricista Marcos Vinícius, vindo de Lagoa Nova, observa que a chegada de empresas com maior poder financeiro elevou os preços e tornou a disputa por imóveis mais difícil, já que locadores preferem contratos com valores mais altos, incluindo de empresas multimilionárias.

Além do setor residencial, o preço para imóveis comerciais em Currais Novos também está superior ao praticado em cidades com população semelhante, segundo um empresário atuante em 12 municípios potiguares.

O Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Rio Grande do Norte (CRECI-RN) acompanha o mercado local, mas não regula preços. Getson Medeiros, representante local, explica que o aumento decorre da relação entre oferta limitada e maior demanda devido ao crescimento populacional. Casas menores com dois quartos e garagem são as mais buscadas, assim como kitnets mobiliadas para profissionais temporários.

Currais Novos não possui um Plano Diretor atualizado para lidar com as transformações recentes. A legislação vigente, criada em 2007 e alterada posteriormente, ainda carece de revisão ampla. Em abril de 2026, vereadores procuraram apoio no Ministério das Cidades para essa atualização, que é importante para planejar o crescimento urbano, uso do solo, infraestrutura e serviços públicos.

Segundo o CRECI-RN, a construção de cerca de 200 kitnets em conclusão pode aliviar a pressão sobre os preços, assim como a entrega de unidades habitacionais de programas públicos, que podem liberar imóveis alugados. Contudo, o impacto nos valores do aluguel dependerá da localização, valores cobrados e perfil do imóvel.

A Lei do Inquilinato de 1991 e a Lei 10.192/2001 determinam que o reajuste contratual não pode ocorrer em períodos inferiores a 12 meses, mas não limitam o valor inicial do aluguel, que é negociado entre locador e inquilino. A correção deve seguir índices previstos no contrato, proibindo vínculos ao salário mínimo, moedas estrangeiras ou variação cambial.

O advogado Ivonaldo Medeiros explica que reajustes são atualizações periódicas previstas no contrato, enquanto revisões podem ocorrer a qualquer momento por acordo entre as partes para alterar o valor ou cláusulas. Caso não haja consenso, questões de revisão podem ser levadas à Justiça após três anos para avaliar se o valor está adequado ao mercado local.

Créditos: Tribuna do Norte

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