[Currais de ontem]:Pedra do Cruzeiro (e do Navio): histórias e lendas
João Bezerra Jr. Jornalista e Historiador.
Um dos locais mais visitados de Currais Novos é a “Pedra do Cruzeiro” ou “Pedra do Navio” (segundo relatos dos moradores mais antigos, recebe este nome pois no período da cheia do Rio São Bento a rocha era vista “flutuando” nas águas, dependendo do ângulo observado).
Em 1900, o Padre Pinto entronizou em frente à Matriz de Sant’Ana um cruzeiro para marcar a passagem do século. A cerimônia, uma missa campal, foi tão grandiosa que as casas da zona rural foram fechadas e todos vieram para a vigília do século e recomendou-se que todas as crianças participassem da cerimônia para receberem a benção especial. Esculpido em madeira, foi um presente do casal Manoel Francisco de Maria e Ana Maria de Jesus. É conferido à Mestre Oliveira o entalhamento da cruz, que tem detalhes do martírio de Jesus Cristo (a coroa e os cravos), e do trabalho do carpinteiro (martelo e a torquês).
Em 01.01.1930 o Cruzeiro foi recolocado em um novo local, a “Pedra do Navio”, devido seu local de origem, segundo relatos, ter sido desvirtuado pelos encontros amorosos dos casais. O Prefeito Antônio Rafael de Vasconcelos Galvão realizou a construção da estrada de acesso para o local a partir da Rua do Rosário (Rua Vivaldo Pereira). O Padre Ulysses Maranhão celebrou a missa e pediu para que, daquele dia em diante, o local fosse chamado de “Pedra do Cruzeiro”. O acadêmico de direito, Antônio Othon Filho, foi o orador da solenidade.
Para marcar os 50 anos do Congresso Eucarístico de Currais Novos, o Padre Ausônio Araújo realizou, em 1987, uma cerimônia no local para celebrar o jubileu. O Prefeito José Dantas de Araújo se responsabilizou pela restauração da cruz, a cargo do artesão Antônio Félix. A área foi doada pelos proprietários Sávio Cruz e Francisco Toscano.
A Pedra do Cruzeiro é um dos geossítios do “Geoparque Seridó”. É uma formação rochosa de pegmatito com feldspatos, quartzo, muscovita, dentre outros minerais. Sua forma foi esculpida no decorrer do tempo por ação do vento, chuva e erosão.
(Retoques da história de Currais Novos/Celestino Alves; Totoró, berço de Currais Novos/Joabel Rodrigues)