Suspeito de matar ativista de direita em Utah tinha visão radical distinta da família
O governador de Utah, Spencer Cox, declarou no domingo (14) que Tyler Robinson, 22 anos, suspeito de assassinar o ativista de extrema direita Charlie Kirk, cresceu em uma família conservadora, mas desenvolveu uma visão do mundo radicalmente diferente. Robinson foi preso na sexta-feira, após se render ao final de uma busca que durou dois dias.
Em entrevistas a veículos como NBC e CNN, Cox mencionou que Robinson tinha um relacionamento com uma pessoa em transição de gênero (de homem para mulher) e frequentava espaços na internet relacionados a ideologias de esquerda radical. Familiares e amigos confirmaram esse envolvimento, segundo o governador. “É muito claro para nós que ele foi profundamente doutrinado”, afirmou.
Charlie Kirk foi morto a tiros de fuzil na quarta-feira (10) durante um evento na Universidade Estadual de Utah Valley. O ataque aconteceu minutos depois de Kirk repetir críticas contra pessoas trans, alegando que “muitos” dos massacres recentes nos EUA foram cometidos por esse grupo — uma informação desmentida pelo Gun Violence Archive, que indica participação de apenas 0,1% em uma década.
Robinson, que estudava um curso técnico de eletricista, morava no condado de Washington, a 400 km do local do ataque. Registros apontam que seus pais são republicanos registrados, tendo votado em Donald Trump nas eleições de 2024, mas pouco se sabe sobre as convicções pessoais do suspeito.
Durante as investigações, foram encontradas inscrições em cartuchos no local do crime com frases como “Hey fascista! Pega essa!”, “Bella Ciao” (referência ao hino antifascista italiano) e “Se você leu isso, você é gay”. Também foi apreendida uma nota atribuída a Robinson, cujo conteúdo está em processo de verificação.
O governador Cox não confirmou se a identidade de gênero da parceira do suspeito esteve diretamente relacionada à motivação do crime, mas afirmou que ela está cooperando com as autoridades e ficou “chocada” com o ocorrido.
O incidente reacendeu o debate sobre radicalização na internet. Cox criticou as redes sociais, dizendo que elas “descobriram como viciar nossos cérebros na indignação e no ódio”.
Políticos de diferentes partidos condenaram o assassinato. O ex-secretário de Transportes democrata Pete Buttigieg qualificou o fato como “um ataque a todos os americanos”. O senador republicano Lindsey Graham pediu que não se recorra à violência para resolver divergências políticas.
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