Internacional
08:02

Israel inicia operação terrestre em Gaza para combater Hamas

Israel anunciou o começo de sua operação terrestre na Cidade de Gaza nesta terça-feira (16), afirmando que “Gaza está em chamas”.

Um oficial militar israelense informou que as Forças de Defesa de Israel (IDF) começaram a principal fase da operação terrestre na Cidade de Gaza, o maior centro urbano do território, para o qual Israel ordenou a evacuação de centenas de milhares de habitantes.

Embora poucos detalhes iniciais tenham sido divulgados, as tropas começaram a desmantelar a infraestrutura do Hamas na cidade. Os moradores foram orientados a deixar a região.

“Gaza está em chamas”, publicou o ministro da Defesa, Israel Katz, na rede social X. Ele afirmou que as IDF atacam firme a infraestrutura terrorista e que os soldados lutam para criar condições para a libertação dos reféns e a derrota do Hamas.

Moradores relataram que os bombardeios aumentaram significativamente nos últimos dois dias, com explosões destrutivas que atingiram dezenas de casas, enquanto a Marinha se juntava a tanques e aviões para atacar a costa.

O premiê Benjamin Netanyahu afirmou, no início de seu depoimento em um julgamento de corrupção, que uma operação importante está em curso em Gaza.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, que esteve no país na segunda-feira (15), expressou apoio à decisão israelense de abandonar as negociações de cessar-fogo e usar força para derrotar o Hamas.

Rubio ressaltou que, apesar dos EUA desejarem uma solução diplomática, é preciso estar preparado para que ela não aconteça. Ele apoiou a exigência de Israel para que o Hamas entregue suas armas e libere os reféns imediatamente, como única saída para encerrar o conflito.

Autoridades de saúde de Gaza registraram pelo menos 24 mortes nas primeiras horas do ataque, a maioria na Cidade de Gaza.

No mês anterior, Netanyahu ordenou a captura da Cidade de Gaza, apontada como último reduto do Hamas, que realizou o ataque surpresa contra Israel em outubro de 2023, desencadeando a guerra.

Grande parte da cidade já estava devastada nas fases iniciais do conflito, mas aproximadamente 1 milhão de palestinos retornaram às suas casas entre os destroços.

A expulsão dos moradores significa que quase toda a população ficará confinada em acampamentos ao sul, na área considerada humanitária por Israel.

As forças israelenses se posicionavam nos arredores da cidade há semanas, se aproximando do centro urbano.

Um oficial israelense afirmou em coletiva que cerca de 320 mil pessoas deixaram a cidade até agora, enquanto 650 mil permanecem. Esses números não puderam ser confirmados de forma independente. Milhares fogem em caravanas com seus pertences.

Líderes israelenses defendem que a ofensiva destina-se a desmantelar o Hamas como organização política e armada. Netanyahu insiste que o grupo deve depor as armas e não ter papel futuro na região.

Nas semanas anteriores, as IDF destruíram prédios nos subúrbios, incluindo torres altas.

Organizações como as Nações Unidas acusam Israel de causar um deslocamento em massa forçado e alertam para as péssimas condições na área para onde os moradores são enviados, com escassez de alimentos.

Alguns comandantes do exército israelense expressaram preocupação, citando risco aos reféns ainda nas mãos do Hamas e perigo de armadilha letal para as tropas.

O chefe do Estado-Maior, Eyal Zamir, recomendou a Netanyahu buscar um cessar-fogo, segundo fontes israelenses que acompanharam reunião sobre a ofensiva.

Familiares de reféns protestaram na residência do premiê em Jerusalém, temendo pela vida dos entes queridos com a intensificação dos ataques.

O Hamas atacou Israel em outubro de 2023, matando 1.200 pessoas e fazendo cerca de 251 reféns, segundo dados israelenses. Autoridades afirmam que cerca de 20 dos 50 reféns restantes estão vivos.

O contra-ataque israelense causou mais de 64 mil mortos palestinos, de acordo com o Ministério da Saúde de Gaza, e partes do território enfrentam fome, segundo grupo mundial de monitoramento. Israel controla cerca de 75% do território de Gaza.

Créditos: CNN Brasil

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