Internacional
09:03

Israel inicia ofensiva terrestre na Cidade de Gaza na fase principal da operação

Na madrugada desta terça-feira, 16, Israel iniciou uma invasão terrestre à Cidade de Gaza, colocando em prática uma ameaça feita meses antes. As Forças de Defesa de Israel (IDF) anunciaram que esta etapa representa a “fase principal” da ofensiva.

O Exército israelense declarou na manhã de terça que três divisões, entre soldados da ativa e reserva, começaram “operações terrestres expandidas na Cidade de Gaza”, visando ataques ao Hamas.

Nas últimas horas, o hospital Al-Shifa recebeu mais de vinte mortos e dezenas de feridos. Mohammad Abu Salmiya, diretor da unidade, relatou esse aumento de pacientes, enquanto Zaher al-Waheidi, do Ministério da Saúde de Gaza, confirmou a chegada de mais de 20 corpos desde a meia-noite. Autoridades locais relatam dificuldades para ambulâncias e equipes de resgate acessarem feridos presos nas ruas ou soterrados.

A intensificação da ofensiva terrestre e dos bombardeios israelenses deve piorar a crise humanitária já grave na região. A guerra já causou mais de 63 mil mortes de palestinos, deslocou quase toda a população local, destruiu mais de 80% dos edifícios e gerou fome generalizada, conforme dados da ONU.

Segundo as IDF, a invasão terrestre será uma “manobra coordenada e gradual” que integrará informações da inteligência, atuação de soldados em solo e apoio aéreo para desmantelar o núcleo do Hamas e seu controle na área. Espera-se encontrar até 3 mil combatentes do Hamas e grupos aliados na Cidade de Gaza.

A operação vinha sendo intensificada há semanas, com ordens para que os civis deixassem a cidade, predominantemente composta por refugiados de áreas anteriores destruídas, além de ataques aéreos diários.

Israel justifica a tomada como necessária para impedir que o Hamas se reorganize e planeje novos ataques, como o ocorrido em 7 de outubro de 2023, que gerou a morte de 1.200 israelenses e o sequestro de mais de 250 pessoas, dando início à guerra.

No dia do ataque terrestre, um painel da ONU acusou Israel de genocídio, afirmando que há intenção de destruir os palestinos em Gaza por meio de atos que encaixam na Convenção sobre Genocídio, conforme declarou Navi Pillay, presidente da comissão de inquérito das Nações Unidas.

O Ministério das Relações Exteriores de Israel rejeitou o relatório da ONU, qualificando-o como “distorcido e falso”. O ministro da Defesa, Israel Katz, publicou no X (ex-Twitter) que as Forças de Defesa estão atacando com firmeza a infraestrutura terrorista e que continuarão até a missão ser cumprida.

Créditos: Veja Abril

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