Derrite recusa ajuda da PF e confirma investigação de assassinato de ex-delegado em SP
O secretário da Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite (PL), agradeceu e recusou a oferta de auxílio do Ministério da Justiça para investigar o assassinato do ex-delegado-geral Ruy Ferraz Fontes, afirmando que as forças policiais estaduais estão plenamente mobilizadas para identificar e prender os responsáveis pela execução.
Derrite falou aos jornalistas na saída do velório de Ruy, realizado na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), após ser questionado sobre o contato do ministro Ricardo Lewandowski com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, também ofereceu apoio, que foi recusado.
“Agradecemos o apoio da Polícia Federal, mas todo o aparelho do estado está 100% capacitado para responder rapidamente. Em poucas horas, já identificamos e qualificamos o primeiro suspeito. Seguiremos com as investigações”, afirmou o secretário.
Durante o velório, ele confirmou a identificação de um suspeito e anunciou que será solicitada a prisão temporária do mesmo.
“O DHPP e o DEIC estão diretamente envolvidos. Os policiais estão nas ruas desde a notícia do assassinato, na segunda-feira, e não vão cessar o trabalho”, disse Derrite.
Apesar de rejeitar a participação direta da Polícia Federal, Derrite afirmou que o governo federal pode compartilhar informações que auxiliem a investigação, mas que o comando da apuração será da Polícia Civil paulista.
“A Polícia Federal está à disposição para colaborar com informações, se desejar. Nosso foco é prender os criminosos. Não há vaidade, somos policiais e entendemos que a polícia é um órgão do estado, não de governo. Tenho total confiança na Polícia Civil de São Paulo”, afirmou.
Derrite garantiu que os responsáveis pelo crime serão punidos.
Mais cedo, em Brasília, o ministro da Justiça do governo Lula, Ricardo Lewandowski, informou que contactou o governador para se colocar à disposição. Ele destacou a importância da cooperação entre as forças policiais e ressaltou a oferta de recursos da Polícia Científica federal, como banco de dados de balística e DNA.
Lewandowski enfatizou a necessidade de diálogo entre as forças de segurança, afirmando que o governo federal não tem interesse em interferir nos estados, mas reconhece que a criminalidade é um problema nacional que necessita de ação coordenada.
O corpo do ex-delegado-geral Ruy Ferraz Fontes chegou na manhã de terça-feira (16) à Assembleia Legislativa para velório público, que reuniu familiares, amigos, políticos e autoridades. O enterro está marcado para as 16h no Cemitério da Paz, no Morumbi.
A investigação trabalha com duas principais linhas para a motivação do crime. O governador Tarcísio de Freitas determinou mobilização total das polícias, criando uma força-tarefa envolvendo o DEIC e o DHPP.
Ruy Ferraz foi exonerado entre 2019 e 2022 pelo então governador João Doria e atuou por mais de 40 anos na Polícia Civil, destacando-se no combate ao Primeiro Comando da Capital (PCC), inclusive na prisão do líder Marcola.
Câmeras de segurança flagraram o momento da execução em Praia Grande: criminosos perseguiram o veículo da vítima, que colidiu com um ônibus, e em seguida dispararam contra ele.
Especialistas ressaltam a ousadia do crime, que evidencia a força do crime organizado no Brasil. Ruy sempre esteve envolvido no enfrentamento ao PCC e já foi ameaçado anteriormente.
O ex-delegado também participou da prisão de membros da cúpula do PCC e na investigação de ataques promovidos pelo grupo contra agentes de segurança pública.
O episódio reforça o desafio da segurança pública diante da atuação das organizações criminosas, conforme especialistas da área.
Créditos: g1