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Ex-delegado Ruy Ferraz disse nunca ter sido ameaçado pelo PCC antes de ser executado

O ex-delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Ruy Ferraz Fontes, que foi executado a tiros na segunda-feira (15), afirmou em entrevista a um podcast da CBN e do jornal “O Globo”, realizada há duas semanas e que ainda não havia sido divulgada, que nunca foi ameaçado em decorrência das suas investigações contra o crime organizado.

Ruy trabalhou por mais de 40 anos na polícia, incluindo mais de 20 anos atuando na prisão de Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, líder do Primeiro Comando da Capital (PCC), e no combate à organização criminosa no estado.

O ex-delegado mencionou que, apesar de uma conversa confusa com Marcola, nunca houve ameaça ou desdobramento negativo. Ele comentou que, no mundo do crime, existe uma ética que, em geral, é respeitada. Ruy acrescentou que as investigações sempre foram baseadas em provas reais, que depois eram apresentadas em juízo, afirmando não ter cometido nenhuma irregularidade no processo.

Ele lamentou não contar com segurança especial, mesmo tendo dedicado décadas ao enfrentamento do crime organizado. A Polícia Civil informou que delegados-gerais aposentados podem solicitar escolta, mas Ruy não fez esse pedido.

A investigação do atentado que vitimou Ruy aponta duas principais suspeitas para a motivação do crime. Após se aposentar da polícia, ele assumiu em janeiro de 2023 a Secretaria de Administração de Praia Grande.

Ruy Ferraz foi emboscado enquanto dirigia em Praia Grande. Imagens de câmeras de segurança mostram criminosos perseguindo o carro dele, que colidiu contra um ônibus. Em seguida, o grupo desceu do veículo e efetuou os disparos contra o ex-delegado.

O governador Tarcísio de Freitas determinou a mobilização total das forças policiais por meio da criação de uma força-tarefa para identificar os responsáveis pelo assassinato. A operação envolve o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e o Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que contam com policiais experientes e informantes para auxiliar na elucidação do caso.

Formado em direito pela Faculdade de São Bernardo do Campo, Ruy iniciou as investigações contra o PCC no início dos anos 2000. Entre 2019 e 2022, foi nomeado delegado-geral da Polícia Civil pelo então governador João Doria. Durante sua carreira, também atuou no DHPP, no Departamento Estadual de Investigações contra Narcóticos (Denarc) e no Departamento de Polícia Judiciária da Capital (Decap).

Créditos: G1 Globo

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