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Suspeito ligado ao PCC identificado na morte do ex-delegado Ruy Ferraz Fontes

O promotor Lincoln Gakiya, do Gaeco do Ministério Público, afirmou que um dos suspeitos da morte do ex-delegado-geral de São Paulo, Ruy Ferraz Fontes, já esteve em uma ala de presídio controlada pelo PCC (Primeiro Comando da Capital).

A identificação deste suspeito foi anunciada no dia 16 de setembro pelo secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite, durante o velório de Ruy na Assembleia Legislativa. A polícia solicitou a prisão temporária de dois indivíduos vinculados ao caso.

Ainda que haja essa relação com o PCC, o promotor considerou prematuro afirmar que o crime tenha sido cometido pela facção.

O suspeito tem 33 anos, passou pelo ‘batizado’ do PCC e esteve no Centro de Progressão Penitenciária Dr. Rubens Aleixo Sendin, em Mongaguá, litoral paulista. Pelas informações do Palácio dos Bandeirantes, o ex-delegado estava investigando contratos da Prefeitura de Praia Grande, o que poderia ter gerado descontentamento nesses envolvidos.

Ruy foi assassinado na segunda-feira, 15 de setembro, em Praia Grande. Gakiya explicou que conversou pela última vez com ele em maio, durante a operação Fim da Linha, que apurou ações do crime organizado no transporte público da capital. Na ocasião, Ruy demonstrou preocupação com influências do crime na Baixada Santista.

O promotor revelou ainda que já havia alertado o delegado diversas vezes sobre planos de assassinato identificados por meio de interceptações no sistema penitenciário. Em 2010, graças a uma investigação sua, foi possível salvar a vida de Ruy quando assassinos do PCC planejavam matá-lo defronte ao 69° DP, na Grande São Paulo.

Desde 2006, Ruy era considerado jurado de morte pelo PCC devido ao seu trabalho na concepção do projeto que confinou lideranças da facção na Penitenciária II de Presidente Venceslau. Ele era reconhecido como o policial que mais entendia do PCC no país e enfrentou a facção por mais de 40 anos.

Embora em entrevista à CBN o delegado tenha afirmado não receber ameaças de morte, a investigação prossegue em duas linhas principais.

O governador Tarcísio de Freitas ordenou mobilização total das forças policiais. Foi criada uma força-tarefa integrando policiais civis e militares, com profissionais que possuem informantes ligados ao crime organizado, reforçando a investigação.

Ruy teve papel importante na prisão de Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, líder do PCC, e em operações contra a facção no estado. Ele comandou a Polícia Civil paulista entre 2019 e 2022 e passou por departamentos como DHPP, Denarc e Decap.

Especialistas em segurança pública destacam que a forma como Ruy foi executado demonstra o poder e a ousadia do crime organizado em São Paulo.

Formado em Direito pela Faculdade de São Bernardo do Campo, Ruy iniciou a investigação ao PCC no começo dos anos 2000, participando das prisões de líderes por tráfico e formação de quadrilha.

Em 2006, Ruy e equipe indiciaram Marcola e a cúpula do PCC. Naquele ano, o PCC comandou ataques direcionados contra agentes de segurança após a transferência dos líderes para presídio de segurança máxima.

Câmeras de segurança registraram quando criminosos perseguiram o carro do delegado até Praia Grande, onde o veículo colidiu com um ônibus, e o grupo efetuou disparos contra Ruy, que foi atingido por ao menos 21 tiros em cerca de 6 segundos.

O crime chocou autoridades e o público, que ressalta a importância e a coragem do ex-delegado no combate ao crime organizado, especialmente contra o PCC, que se mostra forte e desafiador mesmo diante das forças de segurança.

Créditos: g1

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