Notícias
14:04

PF investiga empresário por corrupção e destruição ambiental em Minas Gerais

Na manhã de quarta-feira (17), a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União deflagraram uma operação para investigar corrupção envolvendo servidores públicos nos setores ambiental e mineral em Minas Gerais. A suspeita é que empresários ofereciam propina para liberar projetos e fraudar licenças ambientais. Segundo a PF, Alan Cavalcante do Nascimento, natural de Alagoas e empresário do ramo mineral, lidera o grupo criminoso responsável por um grande impacto ambiental no estado.

Alan Cavalcante, conhecido pelo sobrenome, realiza festas luxuosas na sua mansão em Laguna Heliport, condomínio com o metro quadrado mais caro de Alagoas. O empresário passou de uma infância humilde em Arapiraca, onde tinha como lazer o motocross, para uma vida de grande riqueza e festas grandiosas, com shows ao vivo e centenas de convidados. Ele atribui sua ascensão ao trabalho árduo, segundo declaração à piauí.

Seu conglomerado inclui 38 empresas, principalmente em mineração, construção e imóveis, totalizando capital social acima de 100 milhões de reais. A popularidade dele cresceu quando ofertou o maior lance num leilão beneficente em São Paulo, arrematando por 1,2 milhão de reais um blazer e um cordão de ouro e diamantes utilizados pelo jogador Neymar.

O sucesso na extração de minério de ferro destaca-se, mas também o impacto negativo causado: Alan possui quatro jazidas em Minas Gerais, totalizando 4,5 mil hectares na Serra do Curral, um importante cartão-postal de Belo Horizonte. Essa serra sofreu ao longo das décadas com a mineração e a construção de infraestrutura pela Vale, que modificou a paisagem natural. O geógrafo Alessandro Borsagli, estudioso da região, aponta que a destruição voltou recentemente com força por causa da mineração de Alan.

Nos últimos cinco anos, o empresário foi autuado 18 vezes e multado em 2,6 milhões de reais por captar água ilegalmente e desmatar pelo menos 67 hectares na Serra do Curral. O seu grupo empresarial, Fleurs, é o terceiro mais autuado por infrações ambientais em Minas Gerais entre 2018 e 2023.

Em 2020, fiscais de meio ambiente flagraram extração ilegal de minério por uma empresa de Alan, o que levou à intervenção da Polícia Federal. Um relatório preliminar da Secretaria de Meio Ambiente aponta que muitos sócios das empresas dele seriam “laranjas”, sem condições financeiras ou técnicas para gerir empreendimentos do setor.

Além disso, algumas empresas do grupo estão registradas em endereços inexistentes em Maceió, e outras em residências onde moradores desconhecem sua existência. A empresa NA@LA Participações, por exemplo, adquiriu uma casa de 1 mil m² em Nova Lima por 12,3 milhões de reais à vista.

A investigação atual foca nos esquemas de corrupção e danos ambientais relacionados às atividades de Alan Cavalcante e seu conglomerado em Minas Gerais.

Créditos: piauí folha uol

Modo Noturno