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18:03

Operação PF investiga ex-deputado e ONG por esquema bilionário de mineração ilegal em MG

Fernando Benício, diretor presidente da Associação Ambiental e Cultural Zeladoria do Planeta, e o ex-deputado estadual João Alberto Paixão Lages (PMDB) são alvos da Operação Rejeito, deflagrada pela Polícia Federal nesta quarta-feira (17), que combate fraudes em licenças ambientais para mineração.

As investigações indicam que João Alberto integra a liderança que organizava o esquema de mineração ilegal. Ele também é identificado como sócio oculto do empresário Alan Cavalcante, considerado o chefe principal da organização criminosa.

Fernando Benício lidera a associação sem fins lucrativos cadastrada como entidade ambientalista e membro do Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam), onde tinha direito a voto em discussões sobre licenças ambientais.

Segundo a Polícia Federal, o ex-deputado repassava informações sigilosas sobre operações policiais para ajudar o grupo a evitar mandados judiciais.

João Alberto Lages tem um histórico político que inclui presidência do Conselho Estadual da Juventude (1999–2002), liderança da juventude do PMDB em Minas e nacionalmente, e cargos diversos, como secretário adjunto de Desenvolvimento Regional, diretor-presidente da CeasaMinas e presidente da Associação Brasileira das Centrais de Abastecimentos (Abracen). Também atuou em conselhos ambientais e políticos do estado e tem base política em várias regiões de Minas Gerais.

Fernando Benício representa a associação no Copam e tem participação com direito a voto no Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conam). A ONG atua em processos decisórios de políticas públicas ambientais, participa de fóruns, audiências públicas e possui legitimidade para acessar recursos e editais voltados à proteção do meio ambiente, além de atuar como conselheiro do Comitê da Bacia Hídrica do Paraopeba.

A Operação Rejeito desvendou um esquema criminoso bilionário em Minas Gerais estruturado por empresários e agentes públicos por meio de mais de 40 empresas de fachada, usadas para lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio e simulação de legalidade em projetos minerários em áreas protegidas, como Serra do Curral e Ouro Preto.

Foram cumpridos 17 mandados, com 15 prisões até a tarde desta quarta-feira e duas pessoas foragidas. A organização criminosa fazia cooptação de agentes públicos de órgãos ambientais, como FEAM, SEMAD, IEF, COPAM, ANM e IPHAN, e manipulava licenças ambientais mediante pagamento de propinas.

A investigação detectou movimentações financeiras superiores a R$ 4,3 bilhões e resultou em pedidos de prisão preventiva, bloqueios de bens, suspensão de atividades empresariais e afastamento de servidores envolvidos.

O governo do estado foi procurado para comentar e não respondeu até a última atualização da reportagem.

Créditos: g1 Minas Gerais

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