Acordo de paz no Oriente Médio reacende esperança após conflito em Gaza
Dois anos após o trágico 7 de outubro, o Oriente Médio volta a mencionar a palavra paz, antes quase extinta de seu vocabulário. O acordo negociado por Donald Trump, e aceito por Israel e pelo Hamas, com mediação de Egito, Catar, Turquia e Estados Unidos, surge como a primeira oportunidade real em muito tempo para acabar com a crise humanitária em Gaza.
Este não foi um feito diplomático milagroso, mas resultado de pressão. Trump ameaçou o Hamas com “aniquilação total” e pressionou Benjamin Netanyahu a ceder, aceitando um cessar-fogo que inclui recuo militar, liberação de reféns e entrada irrestrita de ajuda humanitária.
Agora, depois de tantos horrores, o mundo experimenta um breve otimismo, apesar da dificuldade. É quase poético assistir às mesmas mãos que empunharam armas assinando o cessar-fogo. Ainda existe esperança de que o ser humano possa se cansar da violência.
Contudo, a paz exige sacrifícios, às vezes morais. A lista de prisioneiros que deixarão as prisões israelenses em troca dos reféns do Hamas exemplifica essa dura contradição. Estão incluídos estupradores, assassinos e líderes de atentados contra civis, soldados e crianças, condenados a prisões perpétuas, trocados por pessoas que de fato são reféns apenas por serem israelenses.
Essa disparidade é histórica. Desde o caso de Gilad Shalit em 2006, quando Israel libertou mais de mil prisioneiros em troca de um soldado, o país tem que ponderar o valor de seus cidadãos em uma moeda imposta pelo inimigo, que valoriza tão pouco a vida alheia. Mesmo sem simetria, Israel aceita essa lógica, pois nenhuma nação sobrevive sem lutar pelos seus vivos.
O futuro apresenta desafios: a paz deve resistir à vingança e Gaza precisará demonstrar que pode existir sem o controle do Hamas. O acordo prevê a desmilitarização, um governo técnico e supervisão internacional — um plano quase utópico, mas possivelmente o único caminho para recomeçar no Oriente Médio.
Trump já destaca o cessar-fogo como um triunfo político. Que assim seja. Se sua ação política puder salvar vidas, que o interesse pessoal jogue a favor da humanidade. O mundo, cansado de ódio, valoriza que, no fim das contas, não importa quem assina a paz, mas que alguém finalmente o faça.
Depois de muita escuridão, qualquer luz é um milagre.
Créditos: Gaúcha ZH