Advogados norte-americanos representam Nicolás Maduro em audiência em Nova York
Dois advogados estadunidenses serão responsáveis pela defesa de Nicolás Maduro na audiência de custódia marcada para hoje no Tribunal do Distrito Sul de Nova York.
Os criminalistas David Wikstrom e Barry Pollack foram indicados pela Justiça dos EUA para representar Maduro. Fontes do jornal The New York Times e do canal CNN informam que ainda não está confirmado se a dupla continuará atuando após essa primeira audiência.
David Wikstrom tem histórico de casos criminais em Nova York e já atuou na defesa do irmão do ex-presidente hondurenho Juan Orlando Hernández, acusado de crimes similares aos imputados a Maduro. Hernández foi perdoado por Donald Trump no final de 2025. Wikstrom também é pai de Derek Wikstrom, promotor que renunciou após acusações de corrupção em Nova York relacionadas ao ex-prefeito Eric Adams.
Barry Pollack é conhecido por defender Julian Assange, criador do Wikileaks, preso no Reino Unido em 2019 e solto no final de 2024. Assange enfrentou acusações nos EUA por violar a Lei da Espionagem.
Para a esposa de Maduro, Cilia Flores, o advogado Mark Donnelly atuará na defesa. Segundo a CNN, ele trabalha com casos criminais de “colarinho branco” e fala espanhol.
A audiência está prevista para as 12h, horário de Nova York (14h em Brasília). O juiz Alvin K. Hellerstein deve informar os acusados sobre as denúncias contra eles. A expectativa é que Maduro e Cilia Flores se declarem inocentes, o que levaria o juiz a manter a prisão até o julgamento.
O processo pode durar mais de um ano, conforme prevê o The New York Times, considerando a complexidade do caso.
Além do casal Maduro, quatro outras pessoas foram acusadas: Nicolás Maduro Guerra (filho de Maduro), o ministro Diosdado Cabello, o ex-ministro Ramón Rodríguez Chacín e Héctor Rusthenford Guerrero Flores, apontado pelo governo Trump como líder do grupo criminoso Tren de Aragua.
Os EUA acusam o grupo de uma “conspiração narcoterrorista” envolvendo o tráfico de cocaína para o país em parceria com organizações como as FARC e o Tren de Aragua, sem apresentar provas. Segundo o The Guardian, a denúncia que inclui Cilia Flores foi protocolada em sigilo perto do Natal no Distrito Sul de Nova York.
As acusações detalham vários crimes: conspiração para tráfico de cocaína, importação de drogas, posse de armas automáticas e outros dispositivos destrutivos para garantir o funcionamento do esquema de tráfico.
Para a defesa, o argumento deve ser que a prisão é ilegal, pois Maduro teria imunidade por ser chefe de Estado e estaria realizando atos oficiais no próprio território. Contudo, o maior desafio é que os EUA não reconhecem Maduro como presidente desde 2019, o que pode rejeitar essas alegações.
Créditos: UOL Notícias