Economia
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Agronegócio celebra aprovação de acordo comercial Mercosul-União Europeia

O agronegócio brasileiro comemorou a aprovação pela União Europeia da assinatura do acordo comercial com o Mercosul, confirmada nesta sexta-feira (9). Esse tratado criará a maior zona de livre comércio do mundo.

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), que representa os produtores de ovos e carnes de frango e porco, declarou que o anúncio representa um avanço relevante para a previsibilidade comercial e o fortalecimento das relações entre os blocos, com impactos claros e graduais para o setor de proteínas animais.

O Brasil, reconhecido como um dos maiores produtores de alimentos globalmente, deve ser um dos maiores beneficiados pelo acordo. Atualmente, o bloco europeu é o segundo maior comprador do agronegócio brasileiro, atrás da China e à frente dos Estados Unidos.

A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) avaliou a aprovação como um avanço importante, após mais de duas décadas de negociações e ajustes. Tirso Meirelles, presidente da Faesp, destacou que a imposição de tarifas pelo governo Trump em 2025 reforça a importância de acordos bilaterais para expandir o comércio internacional brasileiro.

Embora as exportações brasileiras de soja em grão, farelo de soja e milho para a União Europeia já não sofram barreiras tarifárias, a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) apontou que o setor também será beneficiado.

No segmento do café, o diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Marcos Matos, afirmou que o acordo pode tornar o café solúvel brasileiro mais competitivo na Europa, pois atualmente a concorrência do Vietnã, que tem tarifa zero sobre esse produto no bloco europeu, prejudica o Brasil. O acordo prevê que as tarifas para café solúvel, torrado e moído serão eliminadas em quatro anos. Matos estimou que o setor pode crescer até 35% nos próximos anos.

O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, ressaltou que a relação com a agropecuária abrirá oportunidades para o Mercosul, ampliando negócios. Também destacou que as salvaguardas, que protegem agricultores europeus e foram aprovadas pelos parlamentares da UE em dezembro, podem ser discutidas em negociações futuras e são recíprocas.

Essas salvaguardas preveem que os benefícios tarifários do Mercosul no acordo podem ser suspensos temporariamente, caso a UE considere que algum setor agrícola local esteja sendo prejudicado. Essa medida causou descontentamento no agro brasileiro. Sueme Mori, diretora de relações internacionais da Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA), explicou que as salvaguardas podem limitar as exportações brasileiras à Europa, o que contrasta com as expectativas em torno de um acordo de livre comércio.

Em dezembro, quando a aprovação já estava próxima na UE, Mori afirmou que o acordo eleva o nível da relação entre os parceiros e faz do Mercosul um parceiro preferencial da União Europeia. A declaração foi em referência à criação de cotas com impostos reduzidos para a carne bovina, que embora considerada pequena, traz vantagens.

Pelo tratado, Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai poderão exportar juntos até 99 mil toneladas por ano de carne bovina, com tarifa inicial de 7,5%.

Créditos: g1

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