Internacional
12:08

Ajuda humanitária chega a Gaza após cessar-fogo e libertação de reféns

Grupos humanitários iniciaram neste domingo (12) a ampliação dos esforços para socorrer Gaza, devastada por dois anos de conflito, após a implementação de um novo cessar-fogo na tarde da sexta-feira. A liberação dos envios foi autorizada depois que o Hamas confirmou que começará a libertar reféns israelenses até a manhã de segunda-feira.

Enquanto isso, palestinos retornam às áreas evacuadas pelas forças israelenses em busca de suas casas, a maioria completamente destruída. Dos cerca de 2 milhões de habitantes da Faixa de Gaza, 90% foram deslocados durante o conflito.

Na primeira etapa do acordo, a expectativa é que a ajuda chegue em grande volume, diante da fome generalizada causada pelo bloqueio israelense. Organizações se preparam para enviar cerca de 600 caminhões diários com alimentos e suprimentos médicos, os quais serão inspecionados pelas tropas israelenses antes da entrada.

Atualmente, dezenas de caminhões transitam pelo lado egípcio da passagem de Rafah, ao sul da Faixa de Gaza. O Crescente Vermelho do Egito informou que os veículos transportam suprimentos médicos, tendas, cobertores, alimentos e combustível.

Nos últimos meses, a ONU e parceiros entregaram apenas 20% da ajuda necessária devido aos combates, fechamento das fronteiras e restrições israelenses para entrada de materiais.

Organizações enfrentaram desafios logísticos, como saques, ataques, restrições israelenses e danos na infraestrutura causados pelos bombardeios.

Israel aceitou um plano de trégua proposto pelo presidente dos EUA, Donald Trump, e no dia 10 de outubro retirou suas tropas de várias áreas na Faixa de Gaza, iniciando um processo de 72 horas para libertação dos reféns mantidos pelo Hamas.

O futuro da Fundação Humanitária de Gaza (GHF), organização apoiada por Israel e os EUA que substituiu a ajuda da ONU como principal fornecedora de alimentos desde maio, permanece incerto. Locais mantidos pelo grupo em Rafah e no centro de Gaza foram desmontados após o cessar-fogo.

A GHF foi promovida como alternativa para impedir o controle do Hamas sobre a ajuda humanitária, mas suas operações foram instáveis, e centenas de palestinos foram mortos por tiros israelenses ao se dirigirem a locais de distribuição. As forças israelenses afirmam terem disparado tiros de advertência para controlar multidões.

Neste domingo, prosseguem os preparativos para a libertação dos reféns israelenses em Gaza e dos prisioneiros palestinos em Israel. As famílias receberam aviso do governo de Israel para se prepararem para a liberação a partir da manhã de segunda-feira.

Autoridades israelenses acreditam que cerca de 20 dos 48 reféns mantidos pelo Hamas e outros grupos palestinos ainda estejam vivos. Uma força-tarefa internacional atuará para localizar aqueles que forem mortos e não retornarem nos 72 horas previstas, embora a busca possa ser demorada devido à possibilidade de corpos estarem soterrados.

Ainda não foi definida a data para a libertação dos cerca de 2.000 prisioneiros palestinos em Israel, conforme o acordo. Entre eles, 250 cumprem pena perpétua, além dos capturados durante o conflito em Gaza e detidos sem acusação.

O presidente americano Donald Trump, que intermediou o acordo, deve chegar a Israel na manhã de segunda para se reunir com famílias de reféns e discursar no Knesset. Em seguida, seguirá ao Egito para copresidir uma “cúpula de paz”, conforme informou o gabinete egípcio.

Estão previstas as presenças de autoridades como António Guterres, secretário-geral da ONU; Keir Starmer, primeiro-ministro do Reino Unido; Giorgia Meloni, primeira-ministra da Itália; Pedro Sánchez, primeiro-ministro da Espanha; e Emmanuel Macron, presidente da França.

Embora a suspensão inicial dos combates e os planos para a liberação dos reféns tenham sido recebidos com satisfação, o futuro do cessar-fogo permanece incerto. Questões sobre governança de Gaza e o papel do Hamas após a guerra ainda precisam ser resolvidas.

O conflito começou com um ataque surpresa do Hamas ao sul de Israel em 7 de outubro de 2023, que matou cerca de 1.200 pessoas e resultou em 250 reféns. Na ofensiva israelense subsequente, mais de 67.000 palestinos foram mortos em Gaza, incluindo civis e combatentes, segundo o Ministério da Saúde do enclave.

Créditos: G1 Globo

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