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Aluno ameaçado por facção em escola de Sobral não foi transferido

A Escola Estadual Professor Luiz Felipe, em Sobral (CE), palco de um ataque a tiros que matou dois adolescentes e deixou três feridos nesta quinta-feira, tinha entre seus alunos um jovem de 15 anos que vinha recebendo ameaças de traficantes nos últimos meses.

Segundo a ONG Visão Mundial, o estudante mora em um bairro dominado por uma facção rival à que age no entorno da unidade, o que teria motivado as intimidações. Uma das possibilidades apuradas pela polícia é que os disparos tenham relação com a venda de drogas — uma das vítimas portava entorpecente e uma balança de precisão quando foi atingida.

Ao GLOBO, o gerente de advocacy da ONG Visão Mundial, Régis Pereira, disse que tomou conhecimento da situação do adolescente em julho por meio do projeto “Eu sinto na pele”. Na época em que o contato foi iniciado, o menor já estava sem ir à escola há cem dias, diante de intimidações no bairro em que vive e por temer ser alvo de violência.

— No barro em que ele vive, não havia vagas disponíveis para ensino profissionalizante. O modelo só é oferecido por uma escola, que possui uma prova no processo seletivo, no qual esse jovem não foi aprovado. Diante das ameaças, enviamos um e-mail para a Secretaria da Educação (Seduc) em agosto pedindo uma transferência com urgência, mas não tivemos nenhum retorno — afirma Pereira.

O objetivo é que o jovem seja transferido imediatamente para a escola profissionalizante no bairro em que vive, com o intuito de garantia da segurança do menor. O GLOBO procurou a Seduc, mas não teve retorno até a publicação da reportagem.

Mesmo diante das intimidações, o jovem retornou à escola no início do segundo semestre letivo, no mês passado, e estava ao lado de um dos jovens mortos no momento dos disparos na quinta-feira. Caso o adolescente tivesse mais faltas, perderia a possibilidade de ser aprovado e sua casa poderia deixar de receber auxílios como Bolsa Família e Pé-de Meia.

— Ele está bem no momento, mas está há meses com medo de ser vítima de um atentado. Houve alertas para o governo sobre a necessidade de um olhar atento sobre a situação dele e não há resposta — aponta Pereira.

Créditos: O Globo

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