Internacional
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Análise mostra que Trump apoia Delcy para evitar vácuo de poder na Venezuela

No dia da invasão dos EUA na Venezuela e da captura do ditador Nicolás Maduro, o presidente Donald Trump explicou por que não apoiou a oposicionista María Corina Machado para assumir o poder. Trump disse que “Ela não tem o apoio ou o respeito dentro do país.”

Analistas consultados pelo UOL afirmam que Trump precisa da vice-presidente Delcy Rodríguez, agora presidente interina, para evitar um vácuo de poder na Venezuela e evitar uma possível guerra civil.

A preocupação com o vácuo de poder em quedas de regimes autoritários é comum, segundo a professora Denilde Holzhacker, coordenadora do Núcleo de Estudos e Negócios Americanos da ESPM, que explica que manter o mesmo grupo no poder gera riscos, mas também promove maior estabilidade para pressionar uma transição.

Delcy Rodríguez assumiu ontem como presidente interina da Venezuela, definindo Maduro e sua esposa, Cilia Flores, como “heróis sequestrados”. No domingo, ela convidou o governo Trump a promover uma “coexistência duradoura”.

Ela precisa equilibrar a ameaça dos EUA com pressões internas, tendo como figuras importantes do regime os ministros Diosdado Cabello (Interior) e Vladimir Padrino (Defesa), que devem ser levados em conta.

O professor Fernando Brancoli ressalta que o vácuo de poder poderia causar guerra civil, pois a oposição não tem apoio das Forças Armadas apesar de seu relativo apoio popular. Ele afirma que a legitimidade atual dessas figuras frente às Forças Armadas é insuficiente.

No domingo, o candidato oposicionista Edmundo González, que reivindica a vitória nas eleições de 2024, pediu que os militares o levem ao poder em um vídeo nas redes sociais, apresentando-se como presidente e chefe das Forças Armadas.

Ao sinalizar cooperação, Delcy tenta abrir canais paralelos para negociar limites, o que não necessariamente indica rendição, segundo o professor Brancoli.

Para a professora Holzhacker, a prioridade na cooperação entre EUA e Venezuela será a exploração do petróleo pelo setor norte-americano, embora o regime mantenha sua estrutura política. Delcy já foi ministra do Petróleo no governo Maduro.

No discurso do dia da invasão, Trump mencionou o petróleo venezuelano sete vezes, destacando o interesse no maior reservatório internacional, estimado em mais de 300 bilhões de barris segundo a Agência de Informações Energéticas dos EUA.

O histórico de Delcy revela sua postura: acostumada a negociar internamente e externamente, ela foi fundamental para manter o chavismo, recompondo alianças quando necessário.

Trump declarou ontem que não haverá novas eleições na Venezuela nos próximos 30 dias e que a prioridade é consertar o país.

O presidente dos EUA reiterou que não está em guerra com a Venezuela, mas sim contra o tráfico de drogas, viciados e crimes relacionados.

Maduro e sua esposa foram apresentados ontem à Justiça dos EUA, onde se declararam inocentes. Maduro se identificou ao juiz como “presidente da República da Venezuela” e afirmou que foi sequestrado em sua casa em Caracas.

Créditos: UOL Notícias

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