Articulação para anistia de Bolsonaro ganha força com apoio de Tarcísio
Nesta semana, a mobilização para votar o projeto de lei de anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no Congresso se intensifica com o apoio do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que volta a Brasília para participar das negociações e visitar Bolsonaro.
Essa movimentação ocorre após a condenação de Bolsonaro pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), que lhe aplicou uma pena de 27 anos e três meses de prisão em regime fechado pelo envolvimento em trama golpista. O deputado federal Hélio Lopes (PL-RJ) declarou que os partidos União Brasil e Progressistas já demonstram disposição em apoiar a proposta.
“A anistia deve ser pautada essa semana. Eu espero que sim”, afirmou Lopes na segunda-feira em frente ao Hospital DF Star, onde Bolsonaro passou por procedimento para retirada de lesões na pele. Ele ressaltou que, após o voto do ministro Luiz Fux, que teria derrubado todos os argumentos contrários, vários partidos já estão inclinados a votar a anistia.
Lopes também criticou o ministro Alexandre Moraes, que relatou o processo contra Bolsonaro no STF, e afirmou que a oposição continuará defendendo a candidatura presidencial do ex-presidente. “Não existe meia-anistia. Nós não vamos desistir nunca. Jair Messias Bolsonaro é o candidato a presidente em 2026”, declarou.
O deputado Delegado Paulo Bilynskyj (PL-SP) confirmou que seguirá lutando pela aprovação de uma anistia ampla, geral e irrestrita, combatendo a proposta mais restrita do Senado.
Bolsonaro foi considerado culpado por crimes como organização criminosa, golpe de Estado, abolição do Estado Democrático de Direito, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. Os outros sete réus também foram condenados.
A condenação tornou a anistia um teste decisivo para Tarcísio, considerado um possível candidato apoiado por Bolsonaro em 2026. O governador afirmou que Bolsonaro e os demais foram vítimas de uma sentença injusta e com penas desproporcionais.
Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara, pressionou para que a proposta seja discutida esta semana. A expectativa é que o tema seja incluído na reunião de líderes conduzida pelo presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB).
A sentença do STF, considerada histórica, atingiu outros sete réus, incluindo generais de alta patente. Bolsonaro segue em prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica.
A anistia ampla, contemplando todos os envolvidos no golpe, enfrenta resistência no STF e no Congresso.
Enquanto Hugo Motta demonstra cautela, gerando apreensão na oposição por falta de previsão para votação, a relatoria do projeto está com o deputado Rodrigo Valadares (União-SE). O projeto está parado desde outubro do ano passado, mas a oposição insiste em prioridade para a pauta.
No Senado, uma proposta mais restrita ganhou força, mas a oposição rejeita qualquer texto que não inclua diretamente Bolsonaro. Apesar da cobrança da base bolsonarista por celeridade, ministros do STF e setores do Executivo atuam para deter a tramitação.
O senador Mecias de Jesus (Republicanos-RR) é autor do Projeto de Lei nº 4441/2025, que evita condenações coletivas em crimes contra a democracia. Ele declarou que cada cidadão deve responder apenas por seus atos e que a condenação a Bolsonaro é juridicamente insustentável.
Para Mecias, a anistia é urgente e representa justiça e pacificação para o país.
A deputada Sâmia Bomfim (PSol-SP) afirmou que a decisão do STF é um marco de proteção à democracia e alerta que a anistia pode abrir caminho para novos golpes.
Ela também criticou Eduardo Bolsonaro por ameaças externas e sua atuação nos EUA, alertando para a necessidade de ações da Câmara contra essas atitudes.
O deputado Reginaldo Veras (PV-DF) criticou a articulação de Tarcísio, afirmando que este busca votos bolsonaristas em uma ação oportunista.
Pesquisa Datafolha mostra que 54% dos brasileiros rejeitam a anistia a Bolsonaro, enquanto 39% são favoráveis. A rejeição sobe para 61% quando se inclui os demais condenados, com 33% apoiando a medida.
O levantamento foi feito nos dias 8 e 9 de setembro com 2.005 pessoas em 113 municípios, com margem de erro de dois pontos percentuais.
O cientista político Rudá Ricci avaliou que o governo pode aceitar anistia restrita a envolvidos menores, mas dificilmente incluirá Bolsonaro, considerando a iniciativa da oposição uma demonstração de força sem expectativa real de vitória.
Créditos: correiobraziliense