Internacional
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Assembleia da ONU: vaias a Netanyahu e afago de Trump a Lula

Entre os destaques da Assembleia da ONU, em Nova York, estão a rejeição ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o afago de Donald Trump a Lula após anúncios de tarifas sobre produtos brasileiros e sanções a autoridades do país.

Ao ter o nome anunciado para discursar, o premiê israelense foi vaiado e o auditório ficou esvaziado. Antes de Netanyahu subir à tribuna, representantes diplomáticos deixaram o local em sinal de protesto; outros se levantaram para aplaudir. A delegação brasileira foi uma das que se retirou.

Netanyahu pediu repetidamente a libertação dos reféns e fez novas ameaças ao Hamas. Ao longo do discurso, ele solicitou por diversas vezes que os reféns israelenses sob controle do grupo extremista desde o início da guerra, em 7 de outubro de 2023, sejam libertados e afirmou que Israel “esmagou a maior parte da máquina terrorista do Hamas”. O premiê também refutou que ocorra genocídio em Gaza e classificou as críticas às operações isralenses como “mentiras antissemitas”.

Ele criticou o reconhecimento do Estado Palestino. No plenário, Netanyahu disse que o apoio à causa palestina será motivo de vergonha para países no futuro e comparou a atitude à entrega de um estado à Al Qaeda após os atentados de 11 de setembro. “Quando os terroristas mais selvagens do mundo comemoram sua decisão, isso mostra que vocês fizeram algo terrivelmente errado. Sua decisão vergonhosa que encoraja terrorismo contra judeus e pessoas inocentes de todo o mundo vai ser uma marca de vergonha em todos vocês.”

Netanyahu também agradeceu ações de Washington contra Teerã e voltou a pedir isolamento ao regime iraniano, num dia em que o Conselho de Segurança discute o retorno de sanções.

O presidente norte-americano elogiou Lula em seu discurso na ONU e disse ter encontrado pessoalmente o líder brasileiro. Segundo Trump, ambos se abraçaram e conversaram por alguns segundos. “Tivemos uma ótima química”, afirmou o republicano.

“Eu estava entrando e o líder do Brasil estava saindo. Nós nos vimos. Eu o vi, ele me viu e nós nos abraçamos. (…) Ele parecia um cara muito bom, na verdade.” Donald Trump, durante discurso na ONU

Trump resumiu a conversa com “ele gostou de mim, eu gostei dele”, mas disse que o “Brasil está se saindo mal”. “Eu só faço negócio com pessoas que eu gosto”, afirmou. “Sempre defenderei nossa soberania nacional e os direitos dos cidadãos norte-americanos. Sinto muito por dizer que o Brasil está se saindo mal e continuará a se sair mal. Eles só podem ir bem quando estão trabalhando conosco. Sem nós, eles vão falhar, como outros falharão”.

Os dois combinaram reunião para próxima semana, segundo norte-americano. A informação foi confirmada pelo governo brasileiro. A data e o local ainda não foram divulgados.

O encontro na ONU aconteceu diante da pior crise em 201 anos de relações bilaterais entre Brasil e EUA. A fala vem um dia após a gestão Trump acionar mais uma vez restrições de vistos e sanções financeiras da Lei Global Magnitsky contra alvos brasileiros.

Sem citar nomes, Lula disse que “o Brasil deu um recado a todos os candidatos autocratas”, em referência à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e às sanções de Trump contra o país e autoridades brasileiras. O presidente brasileiro chamou o tarifaço de Trump de “chantagem econômica”. “Falsos patriotas arquitetam e promovem publicamente ações contra o Brasil”, disse.

Sobre a condenação de um ex-chefe de Estado, Lula afirmou: “Há poucos dias, e pela primeira vez em 525 anos de nossa história, um ex-chefe de Estado foi condenado por atentar contra o Estado democrático de Direito. Foi investigado, indiciado e julgado e responsabilizado pelos seus atos em um processo minucioso.”

A França reconheceu oficialmente o Estado da Palestina. Durante o evento, Emmanuel Macron se juntou a outros países do G7 que já haviam reconhecido a existência de dois estados independentes — um palestino e outro israelense — como essencial para a paz no Oriente Médio. Reino Unido e Canadá também oficializaram o reconhecimento.

Macron também elogiou o discurso de Lula, dizendo que o brasileiro “é um guerreiro”. Após trocarem abraços, os dois andaram de braços dados pelos corredores da organização, em clima descontraído.

Trump reclamou de “sabotagem” na ONU, incomodado após a escada rolante do evento ter parado no momento em que ele e a esposa, Melania Trump, subiam. O republicano também se queixou de falhas no teleprompter e de áudio vazado durante sua fala, qualificando tudo como uma “tripla sabotagem da ONU”.

A ONU negou qualquer tipo de sabotagem. A entidade afirmou que o episódio da escada rolante deve ter sido provocado por um cinegrafista da delegação de Trump, que subia de costas para filmá-lo e que pode ter acionado, sem querer, o mecanismo de segurança da escada, fazendo-a parar.

Créditos: UOL

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