Astronautas da Artemis II fazem sobrevoo histórico na Lua e batem recorde de distância

Na última segunda-feira (6), os quatro astronautas da missão Artemis II tiveram a Lua em sua visão como se fosse uma bola de basquete à distância de um braço estendido, ao passarem a cerca de 6.550 km da superfície lunar, ponto de maior aproximação da viagem.
Pouco depois, a nave Orion alcançou a maior distância histórica percorrida por humanos no espaço: 406,6 mil km da Terra. Esse feito superou em cerca de 6.600 km o recorde estabelecido pela Apollo 13 em 1970.
O sobrevoo durou mais de seis horas e incluiu observações científicas detalhadas de regiões lunares nunca antes vistas diretamente por pessoas. A tripulação é composta pelos astronautas da NASA Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, além do canadense Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadense (CSA).
Durante o voo, a nave — que a equipe nomeou Integrity — passou pela face oculta da Lua, que está sempre voltada para o lado oposto da Terra. Por cerca de 40 minutos, não houve comunicação com o controle em Houston enquanto a Orion cruzava atrás do satélite.
A missão marcou também a primeira observação humana a olho nu da Bacia Orientale, uma cratera de 965 km de diâmetro localizada na transição entre a face próxima e a face oculta da Lua. Antes, essa imagem só havia sido capturada por sondas não tripuladas.
Diferente das missões Apollo, que orbitavam a Lua a cerca de 110 km de altitude, a Artemis II seguiu uma trajetória propositalmente mais distante, fazendo um arco em torno da Lua sem entrar em órbita, retornando à Terra pela chamada trajetória de retorno livre, que dispensa propulsão adicional.
Ao longo do trajeto, a tripulação usou várias câmeras para registrar bacias de impacto e antigas correntes de lava, e descreveu ao vivo para cientistas em Houston variações sutis de cor e textura lunar, informações difíceis de captar por equipamentos automáticos.
Kelsey Young, cientista-chefe da missão, destacou que “o olho humano é a melhor câmera que existe”, ressaltando sua superioridade em relação a câmeras na percepção de detalhes.
A missão continua em curso. Espera-se que nos próximos dias os astronautas deixem a influência gravitacional da Lua, realizem correções de trajetória e conduzam experimentos a bordo. A amerissagem está prevista para o dia 10 de abril no Oceano Pacífico.
Os próximos passos são:
– 7 de abril: saída da esfera gravitacional lunar e comunicações com cientistas para compartilhar observações.
– 8 de abril: testes de pilotagem manual e simulação de proteção contra radiação solar.
– 9 de abril: último dia no espaço, com revisão de procedimentos, correção de trajetória e uso de roupas de compressão para o retorno.
– 10 de abril: queima final para correção, separação do módulo de serviço, reentrada a até 1.650°C e amerissagem no oceano.
Créditos: g1