Ataques dos EUA a alvos iranianos aumentam tensão no Oriente Médio

Durante a madrugada desta quinta-feira (30), as Forças Armadas dos Estados Unidos realizaram ataques contra dezenas de alvos da Guarda Revolucionária Islâmica no Irã. A operação, que durou cerca de duas horas, atingiu centros de comando militar e instalações usadas para operações com drones, segundo informou o Comando Central dos EUA (CENTCOM).
Os ataques ocorreram em resposta ao lançamento de mísseis balísticos iranianos contra tropas americanas no Oriente Médio. O CENTCOM afirmou que o objetivo das ações era diminuir as ameaças feitas pelo governo iraniano e seus grupos aliados às forças americanas, à navegação comercial e aos países do Golfo.
A mídia estatal do Irã reportou que três pessoas morreram nos ataques americanos realizados na ilha de Qeshm.
Além disso, a escalada do conflito alcançou a Jordânia, onde as Forças Armadas anunciaram a interceptação de cinco mísseis lançados pelo Irã contra seu território, episódio confirmado pelo CENTCOM.
O Irã havia confirmado no dia anterior o disparo de mísseis contra tropas americanas na Jordânia, considerando as bases dos EUA no país como alvos prioritários.
Esses acontecimentos fazem parte de uma série de confrontos envolvendo vários países do Oriente Médio. Na quarta-feira, forças estadunidenses e sauditas bombardearam grupos ligados ao Irã no leste do Iraque, em resposta a ataques com drones contra instalações petrolíferas da Arábia Saudita.
Essa ação marcou a primeira participação pública da Arábia Saudita em uma operação militar conjunta com os Estados Unidos.
No Egito, um drone atingiu um navio-tanque de armazenamento de gás de propriedade americana no porto de Damietta, no Mar Mediterrâneo, conforme avaliação inicial da empresa britânica de segurança marítima Ambrey. O Ministério do Petróleo egípcio confirmou um incêndio no local, sem detalhar a causa ou confirmar ação de drone.
A sequência de ataques aumenta o receio de que outros países da região sejam diretamente envolvidos no conflito. Recentemente, os Houthis do Iêmen, aliados ao Irã, anunciaram um bloqueio naval contra a Arábia Saudita.
O conflito começou em fevereiro, quando os Estados Unidos e Israel iniciaram ataques contra o Irã. O presidente americano Donald Trump declarou que a operação seria breve.
Um cessar-fogo temporário acertado em junho fracassou com a retomada dos combates na região do Estreito de Ormuz, rota crucial para transporte global de petróleo e gás.
O Estreito de Ormuz, localizado entre o Irã e Omã, conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Mar Arábico. Antes do conflito, ele era usado no transporte de aproximadamente um quinto do petróleo e gás natural liquefeito comercializados mundialmente.
Trump advertiu que o Irã enfrentaria uma retaliação rigorosa pelos ataques com mísseis contra tropas americanas, enquanto o governo dos EUA mantém busca por negociações para encerrar o conflito, que já afeta os mercados globais de energia e finanças.
Na quarta-feira (29), o Irã afirmou ter atacado três petroleiros que tentavam atravessar o estreito por uma rota não autorizada, sustentando seu controle sobre a passagem.
Em uma tentativa de reduzir a tensão, Omã propôs ao Irã, com apoio dos países do Golfo, uma gestão compartilhada do Estreito de Ormuz, incluindo medidas como cobrança de taxas voluntárias pelo uso da rota marítima. No entanto, segundo fontes da Reuters, o Irã recusou a proposta.
Créditos: tribuna do norte