Economia
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Banco Central decreta liquidação extrajudicial da Reag DTVM

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, decretou em 15 de junho a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, novo nome da Reag DTVM. A Polícia Federal investiga se fundos da gestora foram utilizados em fraudes envolvendo o Banco Master, que foi liquidado em 18 de novembro.

A decisão de liquidação foi tomada porque a CBSF descumpriu normas regulatórias relacionadas às suas atividades. O Banco Central comunicou o Ministério Público Federal sobre transações rápidas realizadas por diversos fundos da Reag com recursos oriundos de um empréstimo do Banco Master.

Gabriel Galípolo nomeou a APS Serviços Especializados de Apoio Administrativo Ltda. como liquidante, com Antonio Pereira de Souza como responsável técnico. Souza já atuou na liquidação do Banco Bamerindus.

Na quarta-feira, a Polícia Federal iniciou a segunda fase da operação Compliance Zero, que investiga um esquema bilionário de fraudes financeiras por meio de fundos administrados pela Reag. Foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.

Na primeira etapa da operação, Vorcaro chegou a ser preso um dia antes da liquidação do Banco Master, mas depois foi liberado. Na noite de quarta-feira, Galípolo se reuniu com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Ainda não há detalhes divulgados sobre os assuntos tratados.

O empresário João Carlos Mansur, fundador da Reag, também foi alvo da operação deflagrada na quarta-feira, mas não se encontrava no Brasil no momento das buscas.

A Reag afirma ser vítima da Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto do ano anterior contra um esquema bilionário de lavagem de dinheiro no setor de combustíveis. A investigação inclui uma análise detalhada das contas da holding de Mansur, suspeita de criar fundos de investimento e comprar empresas para proteger patrimônio de grupos criminosos, o que a empresa nega.

Devido às dificuldades, a Reag vendeu grande parte de seus negócios e devolveu o Edifício Bothanic, localizado na Alameda Gabriel Monteiro da Silva, próximo à Faria Lima, área nobre do distrito financeiro. O imóvel, antes ocupado exclusivamente pela gestora, possui fachada moderna e áreas revestidas por plantas.

Conforme revelado pelo Estadao em outubro do ano passado, a relação da Reag com o Primeiro Comando da Capital (PCC), apontada na Operação Carbono Oculto, vai além da administração de fundos vinculados à organização criminosa. O Ministério Público de São Paulo indica que a Reag e alguns de seus sócios e diretores têm participação em negócios relacionados à facção, além de outras conexões. Na ocasião, a Reag classificou como infundadas tais alegações.

Em dezembro do ano passado, a Polícia Federal apreendeu na residência de Daniel Vorcaro documentos sobre movimentações em fundos administrados pela Reag, comprovando os vínculos da gestora com o Banco Master, que também foi liquidado pelo Banco Central.

Na ocasião da Operação Carbono Oculto, a Reag admitiu que um dos fundos sob sua gestão negociou a compra de CDBs do banco de Vorcaro. Investigações apontam suspeitas de operações fraudulentas no Banco Master realizadas por meio dos fundos da Reag, que poderiam ter sido usados para desviar recursos e lavar dinheiro.

Além disso, o BC decretou a liquidação extrajudicial da Advanced Corretora de Câmbio, devido a grave comprometimento financeiro e violações graves às normas legais, embora este processo seja independente do caso da Reag.

Créditos: Estadao

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