Política
16:07

Bolsonaro atribui surto a medicamentos em tentativa de violação da tornozeleira

O ex-presidente Jair Bolsonaro afirmou que a tentativa de violar a tornozeleira eletrônica resultou de um “surto” provocado pelos medicamentos pregabalina e sertralina.

Segundo as bulas, esses remédios são utilizados em tratamentos psiquiátricos, principalmente para ansiedade e depressão. Ambas as drogas podem causar reações adversas, incluindo alterações no humor e alucinações, embora esses sintomas sejam raros.

A pregabalina é indicada para dor neuropática, transtorno de ansiedade generalizada (TAG), epilepsia e fibromialgia em adultos. Já a sertralina é um antidepressivo que aumenta a disponibilidade de serotonina no cérebro, substância relacionada ao humor, bem-estar e controle da ansiedade.

Durante a audiência de custódia, Bolsonaro negou ter tentado fugir e explicou que “começou a tomar um dos remédios cerca de quatro dias antes dos fatos que levaram à sua prisão”. Ele também comentou não se lembrar de ter tido um surto similar anteriormente, sugerindo que o episódio pode ter sido desencadeado por um medicamento novo.

A juíza responsável decidiu manter a prisão do ex-presidente após a audiência. A sessão serve para que um juiz avalie a legalidade da prisão e o respeito aos direitos do detido, sendo um procedimento obrigatório mesmo em prisões determinadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

A psiquiatra Danielle Admoni, da Unifesp, afirma que pregabalina e sertralina normalmente não provocam alucinações. Ela destaca que os efeitos adversos mais frequentes dessa combinação incluem sedação e dependem do metabolismo individual, especialmente em idosos. Por isso, é necessário avaliar o histórico de cada paciente para descartar ou considerar efeitos incomuns.

A bula da pregabalina lista desde efeitos leves, como dor de cabeça (que ocorre em cerca de 10% dos usuários) e náusea, até reações raras e graves como alterações cardíacas e reações alérgicas severas. Já a sertralina é indicada para adultos no tratamento de transtornos depressivos, ansiedade, ataques de pânico e outras condições, porém pode causar desde sintomas leves a reações raras que requerem atenção médica.

O ex-presidente Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão pela tentativa de golpe, mas ainda não iniciou o cumprimento da pena pois o período para recursos ainda está aberto. A Primeira Turma do Supremo julgará nesta segunda-feira (24) se mantém ou revoga a prisão preventiva, que poderá ser mantida por tempo indeterminado enquanto necessária, com reavaliação a cada 90 dias.

Durante a audiência, a Polícia Federal foi considerada adequada em seus procedimentos, e a prisão preventiva foi mantida. Caso os ministros da Primeira Turma confirmem a decisão do ministro Alexandre de Moraes, Bolsonaro deverá continuar preso, unificando a prisão preventiva com a pena já determinada, que será cumprida em regime fechado.

A defesa do ex-presidente e de outros aliados condenados ainda pode apresentar recursos. A sessão da Primeira Turma que avaliará o caso ocorrerá entre 8h e 20h e conta com os votos dos ministros Flávio Dino (presidente da turma), Cármen Lúcia e Cristiano Zanin.

Créditos: g1

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