Bolsonaro recebe alta após cirurgia e retorna à prisão da PF em Brasília
O ex-presidente Jair Bolsonaro recebeu alta hospitalar após tratamento de hérnia e crises de soluço e voltou à Superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde cumpre pena de 27 anos e três meses por tentativa de golpe de Estado e outros crimes.
A defesa de Bolsonaro pediu a manutenção dele no hospital até a decisão sobre pedido de prisão domiciliar humanitária, que foi negado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Moraes justificou que há melhora clínica do ex-presidente e que ele pode ser tratado adequadamente na prisão.
Antes da saída do hospital, Michelle Bolsonaro, ex-primeira-dama, deixou o local e acenou para apoiadores, que vestiam roupas com a bandeira do Brasil e uma delas com a bandeira de Israel. O grupo fazia protestos contra o presidente Lula e pedia a soltura de Bolsonaro.
Michelle publicou em rede social uma foto do marido e manifestou apoio, citando Winston Churchill: “Um líder é aquele que sabe o caminho, anda pelo caminho e mostra o caminho”. Ela disse que existe um Brasil “de bem que te ama e ora por você” e prometeu estar ao lado dele para superar momentos difíceis.
Bolsonaro foi internado para cirurgia de correção de hérnia inguinal bilateral na semana anterior e, devido a crises de soluço, passou por novos procedimentos. A defesa alegou que ele ainda precisava de acompanhamento médico contínuo.
Moraes afirmou que não foram apresentados fatos novos que justifiquem a prisão domiciliar, ressaltando que o estado de saúde de Bolsonaro mostra melhora conforme laudos médicos. Ele destacou que as prescrições médicas podem ser cumpridas na PF, onde Bolsonaro está detido.
Além disso, o ministro mencionou que persistem causas para manter o regime fechado, como descumprimentos de medidas cautelares e atos voltados à fuga, incluindo a destruição dolosa da tornozeleira eletrônica.
Na semana passada, Bolsonaro passou por bloqueios anestésicos do nervo frênico esquerdo e direito para tratar os soluços persistentes, uma técnica usada quando medicamentos não são eficazes. O procedimento reduz temporariamente os impulsos nervosos que provocam contrações involuntárias do diafragma, responsável pelos soluços, sem causar paralisia ou interferir permanentemente na respiração.
Esse tratamento, realizado de forma bilateral e em etapas, é recomendado somente em situações específicas, após avaliação detalhada, principalmente quando soluços estão ligados a alterações neurológicas ou gastrointestinais.
Créditos: O Globo