Bolsonaro relata ‘paranoia’ ao violar tornozeleira em audiência de custódia
O ex-presidente Jair Bolsonaro declarou que teve uma “certa paranoia” em relação à sua tornozeleira eletrônica antes de tentar manipulá-la. Ele foi submetido a uma audiência de custódia nesta data, na qual a Justiça decidiu pela manutenção de sua prisão.
Questionado sobre o dispositivo de monitoramento, Bolsonaro explicou que a “paranoia” ocorreu entre sexta e sábado, motivada pela interação inadequada de medicamentos prescritos por médicos distintos (Pregabalina e Sertralina). Relatou ter tido sono fragmentado e que, por isso, resolveu mexer na tornozeleira com um ferro de soldar, recurso que sabe operar devido a um curso que realizou.
Disse que mexeu no equipamento por volta de meia-noite, mas depois recobrou a consciência e desistiu da ação, comunicando os agentes de sua custódia. Estava acompanhado em casa pela filha, pelo irmão mais velho e por um assessor, nenhum dos quais presenciou o momento em que manipulou a tornozeleira. Segundo ele, os outros estavam dormindo, e ninguém percebeu qualquer movimentação.
Bolsonaro afirmou ter tido a sensação de estarem escutando-no por meio da tornozeleira, o que o levou a tentar abrir a tampa do equipamento. Não recorda ter passado por surto semelhante anteriormente. Destacou que começou a tomar um dos medicamentos há aproximadamente quatro dias antes dos eventos que culminaram em sua prisão.
Durante a audiência, o representante da Procuradoria-Geral da República, Dr. Joaquim Cabral, declarou estar de acordo com a regularidade do procedimento policial que cumpriu o mandado de prisão. A juíza auxiliar indagou ao ex-presidente se sua intenção ao mexer na tornozeleira era fugir; ele negou e assegurou que não rompeu a cinta.
Bolsonaro comentou que já havia rompido a tornozeleira anteriormente para realização de uma tomografia. Sobre a vigília organizada por seu filho, afirmou que ocorre a 700 metros de sua residência, o que inviabiliza qualquer tumulto que facilitasse uma possível fuga.
Questionado sobre os médicos que prescreveram os remédios envolvidos na interação citada, mencionou Cláudio Birolini, Leandro Chenique e Marina Graziottin Pasolini; esta última prescreveu a Sertralina sem comunicar os demais médicos.
Quanto ao ferro de soldar usado, declarou que possuía o equipamento em casa, e não recebeu de terceiros.
Ao concluir, a juíza homologou o cumprimento do mandado de prisão, ressaltando a ausência de abusos ou irregularidades por parte dos policiais responsáveis, e indicou que a análise do mérito será feita pelo Ministro Relator. A audiência de custódia foi encerrada, conforme registrado no termo correspondente.
Créditos: UOL