Bolsonaro tenta violar tornozeleira eletrônica e é preso preventivamente
A tentativa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) de interferir em sua tornozeleira eletrônica no final de semana repercutiu na imprensa internacional.
O juiz Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), fundamentou a prisão preventiva do ex-presidente na Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal, em Brasília, em parte devido à violação do equipamento.
Bolsonaro confirmou ter usado um ferro de solda na madrugada de sábado (22/11) para tentar danificar a tornozeleira, mas afirmou ter interrompido a ação por iniciativa própria e comunicado o fato aos agentes que monitoram o dispositivo.
O jornal The New York Times destacou a situação na reportagem “Como uma tornozeleira eletrônica sabotada pôs fim à prisão domiciliar de Bolsonaro”. O diário americano relata que Bolsonaro inicialmente disse à polícia ter batido contra a tornozeleira, o que causou mau funcionamento, conforme um relatório da autoridade prisional.
O veículo também menciona que, ao ser questionado sobre queimaduras no dispositivo, Bolsonaro teria admitido ter usado um ferro de solda para tentar derretê-lo e, em vídeo divulgado pelas autoridades, disse à agente que começou a queimar o aparelho horas antes.
Na ordem de prisão emitida no sábado, Moraes afirmou que as medidas cautelares haviam sido esgotadas. Ele apontou risco iminente de fuga após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente, convocar uma “vigília” em apoio ao pai perto da residência dele.
Em nota, a defesa de Bolsonaro considerou a decisão do juiz causa de “profunda perplexidade”, afirmando que a cronologia dos fatos se baseia em uma vigília de orações. Argumentaram que a Constituição garante o direito de reunião, inclusive para a liberdade religiosa.
Os advogados destacaram que, apesar dos indícios de possível fuga, Bolsonaro foi preso em casa, usando tornozeleira eletrônica e sob vigilância policial. Chamaram a atenção para o delicado estado de saúde do ex-presidente e afirmaram que a defesa apresentará recurso.
No sábado, Paulo Cunha Bueno, advogado de Bolsonaro, disse aos jornalistas que a tornozeleira era uma narrativa para justificar o injustificável, mas não respondeu sobre a violação do equipamento admitida pelo ex-presidente.
A BBC News Brasil questionou a defesa sobre a tentativa de violação do dispositivo, mas não teve resposta até o momento.
A agência Reuters destacou o depoimento de Bolsonaro durante audiência de custódia no domingo (23/11). Ele negou intenção de fuga ou de remoção do equipamento e afirmou que medicamentos anticonvulsivantes para soluços crônicos o fizeram acreditar que havia escuta no dispositivo.
Bolsonaro relatou o uso de pregabalina, indicada para dores crônicas e neurológicas, e sertralina, antidepressivo para depressão e ansiedade. Segundo ele, a combinação provocou efeitos colaterais que o levaram a suspeitar da tornozeleira.
O jornal francês Le Monde chamou a decisão de Moraes de “surpresa” para o Brasil. O cotidiano britânico The Sun informou que Bolsonaro estava em prisão domiciliar rigorosa desde agosto e foi preso preventivamente em Brasília naquele fim de semana para evitar uma possível fuga.
O caso também foi noticiado pelo jornal argentino Clarín e pela emissora Al Jazeera, do Catar. Durante audiência, Bolsonaro disse ao juiz estar tendo “alucinações” de escutas em sua tornozeleira, segundo os autos.
O tribunal manteve a prisão preventiva e afirmou que não houve abuso ou irregularidade por parte da polícia.
A Al Jazeera contextualizou que Bolsonaro foi condenado pelo STF em setembro por tentar dar um golpe de Estado após sua derrota eleitoral para Luiz Inácio Lula da Silva em 2022. A emissora informou que o mesmo painel votaria na segunda-feira sobre a ordem de prisão preventiva.
Durante reunião do G20 na África do Sul, o presidente Lula comentou a prisão de Bolsonaro, dizendo: “O tribunal decidiu, está decidido. Todos sabem o que ele fez.”
Créditos: Reuters