Internacional
18:09

Brasil deixa custódia da embaixada argentina na Venezuela após divergências

O governo brasileiro decidiu encerrar sua responsabilidade pela gestão da Embaixada da Argentina na Venezuela, motivado por divergências com o governo argentino sobre a situação do país caribenho.

Essa mudança ocorre logo após a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro por uma operação militar dos Estados Unidos, evento elogiado pelo presidente argentino Javier Milei, mas condenado pelo presidente brasileiro Lula.

Com a saída do Brasil, a Itália assumirá a representação diplomática argentina na Venezuela.

O governo brasileiro comunicou formalmente a decisão à Argentina e também avisou a administração interina da Venezuela, liderada por Delcy Rodríguez. Desde agosto de 2024, o Brasil estava à frente da embaixada argentina em Caracas, após Maduro expulsar os diplomatas argentinos.

Fontes do Itamaraty confirmam que a decisão partiu do Brasil, apesar de não haver manifestação oficial do Ministério das Relações Exteriores.

O governo Lula se posicionou contra a operação militar dos EUA, articulando junto a outros países para defender a soberania nacional e a autodeterminação dos povos da região. Por outro lado, o presidente argentino Milei apoiou a ação ordenada pelo governo americano.

A notícia da decisão brasileira foi divulgada inicialmente pelo jornal argentino La Nación e confirmada por O Globo. O comunicado foi enviado à chancelaria argentina na sexta-feira, o mesmo dia em que o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia foi aprovado pelo Conselho Europeu.

De acordo com La Nación, a Itália, governada atualmente por Georgia Meloni, assumirá a embaixada argentina na Venezuela a pedido do governo de Milei.

O jornal argentino menciona que uma das razões que motivaram a decisão brasileira teria sido um vídeo postado por Milei em redes sociais, no qual elogia as ações militares dos EUA na Venezuela e intercala imagens do presidente Lula. Segundo o La Nación, o que irritou o Brasil foi o vídeo terminar com uma imagem de Lula abraçado com Maduro.

No Itamaraty, contudo, foi avaliado que o Brasil já cumpriu sua missão na gestão dessa representação e que, diante da atual conjuntura, outros países poderiam representar melhor os interesses da Argentina na Venezuela.

Durante o tempo em que esteve sob custódia brasileira, o Itamaraty atuou na defesa de seis opositores venezuelanos ligados à campanha presidencial de Edmundo González Urritia, que disputou contra Maduro, e que estavam abrigados na embaixada argentina. Estes opositores, que enfrentavam acusações de “ações violentas”, “terrorismo” e “desestabilização”, receberam asilo em março de 2024 e saíram para os Estados Unidos em maio de 2025.

Além disso, o Brasil tentou negociar a libertação de Nahuel Gallo, militar argentino preso em dezembro de 2024 na Venezuela, acusado pelo regime de Maduro de envolvimento em atividades terroristas. Apesar das negociações, ele permanece detido, embora haja expectativa de sua libertação após o anúncio de Jorge Rodríguez sobre a soltura de presos políticos venezuelanos.

Créditos: O Globo

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