Política
18:08

Brasil encerra gestão da embaixada argentina na Venezuela após acordo

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva informou à Argentina e à gestão da presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, que deixará de administrar a embaixada argentina em Caracas.

Em agosto de 2024, a pedido do presidente argentino Javier Milei, o Brasil passou a representar os interesses da Argentina na Venezuela, após Nicolás Maduro expulsar os diplomatas argentinos do país.

Naquela ocasião, o Itamaraty comunicou que essa representação seria feita pela embaixada brasileira em Caracas. A nota conjunta de agosto de 2024 declarou que a Venezuela e o Brasil concordaram que, a partir de 5 de agosto de 2024, a embaixada do Brasil em Caracas assumiria a custódia das missões diplomáticas da Argentina e do Peru, incluindo seus bens, arquivos e a defesa dos interesses nacionais desses países no território venezuelano.

Fontes da diplomacia avaliaram que o Brasil “já fez a sua parte” e destacaram o empenho em garantir a integridade dos assessores de María Corina Machado. Essa questão tornou-se uma pauta sensível nas relações com Caracas até maio do ano anterior.

O caso envolve seis opositores do regime chavista que se refugiaram na embaixada argentina em Caracas em 2024. Na época, o gabinete de Javier Milei afirmou que a Argentina acolheu esses líderes da oposição com base na inviolabilidade prevista na Convenção de Viena sobre relações diplomáticas, da qual Argentina e Venezuela são signatárias.

Ainda segundo fontes diplomáticas, o Brasil defendeu a inviolabilidade da residência argentina enquanto esteve à frente da representação dos interesses da Argentina na Venezuela, garantindo o atendimento às necessidades básicas dessas pessoas por mais de nove meses, com gestões quase diárias. Segundo os diplomatas, a oposição venezuelana reconheceu tal compromisso e esforço.

O governo brasileiro tomou a decisão após mudanças no cenário venezuelano, principalmente devido à intervenção dos Estados Unidos, que criou condições para que o Brasil repassasse essa representação.

Em 3 de janeiro, os Estados Unidos realizaram uma operação que resultou no sequestro do ditador Nicolás Maduro. Uma semana depois, a Venezuela mudou de liderança, que passou a ceder à pressão norte-americana enquanto ampliava a repressão interna.

A operação norte-americana veio após meses de tensões entre os EUA e Venezuela relacionadas ao combate ao narcotráfico. Em agosto, o prêmio por informações que levassem à prisão de Maduro foi aumentado para US$ 50 milhões. Maduro era acusado de chefiar o suposto “Cartel de los Soles”, uma organização criminosa ligada ao tráfico de drogas.

Além disso, militares dos EUA atacaram mais de 30 embarcações que supostamente transportavam drogas da América do Sul para os EUA. O então presidente Donald Trump chegou a ameaçar ataques terrestres contra a Venezuela e manteve contato telefônico com Maduro, sem conseguir firmar acordos.

A bandeira do Brasil foi hasteada na embaixada da Argentina em Caracas durante o período em que o Brasil administrou a representação diplomática.

Créditos: G1

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