Brasil foca em acordos comerciais com Índia, Canadá e Emirados para 2026
Após a aprovação do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia pelo Conselho Europeu, o Brasil estabeleceu suas prioridades comerciais para 2026.
O governo federal planeja concentrar esforços em destravar negociações e expandir acordos do Mercosul com Índia, Canadá e Emirados Árabes Unidos.
Com a Índia, a meta é ampliar a atual cobertura limitada do acordo de comércio preferencial do bloco com o país.
O governo avalia que a Índia, que é o país mais populoso do mundo e passou por industrialização nas últimas duas décadas, ainda é pouco explorada pelos exportadores brasileiros.
A pauta brasileira para a Índia é pouco diversificada, com mais de 50% das exportações concentradas em óleos vegetais, açúcares e petróleo bruto.
Há espaço para ampliar as vendas de minério de ferro, óleos vegetais, algodão, feijões e pulses, etanol, genética bovina e frutas. Produtos como carne de aves, pescado, café e suco de laranja também têm potencial.
O principal obstáculo são as altas tarifas indianas, que não contemplam quase nenhum produto do agronegócio no acordo preferencial vigente, que cobre apenas 14% das exportações brasileiras para aquele mercado.
Este tratado contempla 450 categorias de produtos, de um universo de cerca de 10 mil, com reduções tarifárias modestas entre 10% e 20%.
O Brasil pretende negociar a inclusão de mais produtos, especialmente do agronegócio, reduzir tarifas e eliminar barreiras comerciais.
Em 2025, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a Índia concordou em ampliar a cobertura do acordo após conversa com o primeiro-ministro Narendra Modi.
Quanto aos Emirados Árabes Unidos, o objetivo é concluir as negociações para um acordo de livre comércio entre o Mercosul e o país árabe.
Em novembro, houve a quarta rodada de negociações, iniciadas em 2024, que avançaram rapidamente.
Fontes indicam que o fechamento do acordo poderia ter ocorrido ainda em 2025, pois as divergências estavam concentradas em poucas questões, porém a conclusão foi postergada para 2026.
Um ponto principal é o pedido dos Emirados para zerar tarifas de importação para cerca de vinte petroquímicos, segmento no qual os árabes têm vantagem competitiva, enquanto a indústria brasileira busca proteção.
Os principais produtos brasileiros exportados para os Emirados são carne de frango, carne bovina e açúcar, enquanto as importações mais significativas do Brasil são petróleo, ureia, enxofre e peças para aeronaves.
A relação bilateral evoluiu para uma parceria estratégica, com forte cooperação e investimentos crescentes dos Emirados no Brasil por meio de empresas e fundos como Mubadala, ADIG, Edge Group e DP World.
No caso do Canadá, o Brasil visa avançar nas negociações de um acordo de livre comércio com o Mercosul, visto como estratégico para acessar mercados de maior valor agregado, especialmente na mineração.
O agronegócio também aguarda este acordo.
As negociações começaram em 2018 e foram retomadas em 2025, após tarifas anunciadas pelos Estados Unidos provocarem impacto no comércio global e alertaram vários governos.
As tratativas buscam reduzir tarifas, facilitar comércio de bens e serviços, e ampliar cooperação em investimentos, compras governamentais e regras ambientais.
Créditos: CNN Brasil