Internacional
12:08

Caminhões de ajuda chegam a Gaza durante cessar-fogo; Hamas pede mudanças em lista de prisioneiros

Dezenas de caminhões carregados com ajuda humanitária entraram na Faixa de Gaza neste domingo (12), marcando o terceiro dia de cessar-fogo na guerra entre Israel e Hamas após a concordância da primeira fase de um acordo de paz na quarta-feira (8).

A entrada dessa ajuda, essencial devido ao grave bloqueio imposto por Tel Aviv, faz parte do acordo negociado em Sharm el-Sheikh, Egito. No entanto, o fluxo ainda não satisfaz as necessidades do território, devastado por dois anos de bombardeio, conforme alerta do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância).

“O que Israel precisa fazer é simples”, afirmou James Elder, porta-voz do Unicef à BBC News. “Abrir várias passagens, não apenas uma. Existem cinco ou seis que poderiam ser abertas para que os mil caminhões de ajuda não precisem passar por uma única rota, tendo assim múltiplos pontos de entrada.”

Paralelamente, em uma nova rodada de negociações neste domingo, o Hamas pressiona para modificar a lista de prisioneiros palestinos que seriam libertados em troca dos reféns israelenses.

O acordo de paz, fundamentado em um plano de 20 pontos proposto por um republicano, prevê a libertação dos 47 reféns restantes, vivos ou mortos, de um total de 251 sequestrados durante o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023. Em contrapartida, Israel concordou em libertar 250 prisioneiros palestinos e 1.700 moradores de Gaza detidos desde o início do conflito.

A lista inicial não incluía figuras emblemáticas da luta armada palestina, porém o Hamas agora busca incluir sete prisioneiros de alto perfil, como Marwan Barghouti e Ahmad Saadat. Barghouti, condenado à prisão perpétua por planejar ataques que mataram cinco pessoas, e Saadat, cumprindo 30 anos por envolvimento em atentados, são considerados líderes populares entre os palestinos.

A libertação deles seria estratégica, já que pesquisas indicam que Barghouti poderia derrotar Mahmoud Abbas, atual líder da Autoridade Palestina, em uma eleição. O Hamas, que governa a Cisjordânia, históricamente é opositor da Autoridade Palestina.

Israel mantém a recusa em libertar essas figuras, e a situação em torno dessa discordância ainda é incerta.

Após a retirada das forças israelenses das principais áreas urbanas de Gaza na sexta-feira, começou a contagem regressiva para que o Hamas libertasse os reféns em 72 horas, que terminaria nesta segunda (13).

O jornal americano The Wall Street Journal divulgou que, segundo fontes próximas às negociações, o Hamas declarou dificuldades para reunir os reféns, mas está preparado para liberar 20 deles vivos, confirmando pela primeira vez o número de sequestrados ainda vivos.

O acordo exige que todos os israelenses detidos, inclusive cerca de 28 corpos, sejam devolvidos. O primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, afirmou neste domingo que Israel está preparado para recebê-los imediatamente.

Créditos: Folha de S.Paulo

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