Caminhoneiros do RN apoiam paralisação por alta do diesel

Caminhoneiros autônomos do Rio Grande do Norte manifestam apoio à paralisação da categoria, que está sendo considerada desde a semana passada devido aos sucessivos aumentos no preço do diesel. A participação no movimento aguarda uma decisão da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL). A decisão será tomada durante a Assembleia Geral dos Caminhoneiros, marcada para esta quinta-feira (19), no Sindicato dos Caminhoneiros da Baixada Santista (SINDICAM).
Segundo Valdir Pereira, presidente da Cooperativa de Caminhoneiros Autônomos do Rio Grande do Norte (Coopcam-RN), a orientação local é esperar a decisão nacional, embora o apoio ao movimento seja claro. Ele comenta que os caminhoneiros enfrentam uma situação muito difícil, com alta nos preços que refletem em todos os custos diários, como alimentação, citando até mesmo pratos feitos que chegam a custar R$ 45 entre São Paulo e o Rio Grande do Norte. Ele exemplifica a dificuldade de percorrer cerca de 7 mil quilômetros nas atuais condições de custo.
Os profissionais veem a paralisação como uma forma de pressionar por medidas que reduzam o aumento do diesel. O caminhoneiro Erivan Fernandes, 52 anos, relata que o valor dos fretes não acompanha os custos elevados. Ele destaca que antes o frete entre Natal e Petrolina permitia ida e volta, mas hoje ele precisa desembolsar R$ 600 a mais, o que inviabiliza o trabalho, justificando seu apoio à greve.
Na Ceasa, em Natal, o caminhoneiro Alex D’Castro descarregava duas cargas de 40 toneladas de cebola vindas de Santa Catarina. Ele disse que o reajuste do diesel já impôs um custo extra de cerca de R$ 3,5 mil por frete, valor que chega ao consumidor final, mostrando que o impacto ultrapassa os caminhoneiros.
O Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Cargas do RN (Sintrocern) acredita que, caso haja greve no estado, esta será restrita aos autônomos. O presidente Edson Negrão afirma que não há mobilização entre os trabalhadores associados ao sindicato, destacando que vê o movimento com conotação político-partidária.
Negrão informou que o sindicato acompanhará o desenrolar do movimento e, se a paralisação ocorrer, avaliará a pauta junto ao sindicato patronal (Setcern), que também deseja reduzir custos. O Setcern, procurado, afirmou que não participará da greve, mas segue as discussões.
A União propôs que estados e Distrito Federal zerem temporariamente o ICMS sobre a importação de diesel para conter a alta nos preços dos combustíveis. Em troca, o governo federal se compromete a compensar metade da perda de arrecadação.
A proposta foi apresentada pelo secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, durante reunião do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) na quarta-feira (18).
Este conselho, que reúne secretários estaduais de Fazenda, se reuniu virtualmente para discutir medidas que controlem o aumento do diesel após a escalada da guerra no Oriente Médio.
De acordo com a equipe econômica, a isenção geraria uma renúncia de aproximadamente R$ 3 bilhões mensais para os estados, dos quais R$ 1,5 bilhão seria compensado pela União.
A iniciativa tem caráter temporário, com validade até 31 de maio, podendo gerar um impacto total de R$ 6 bilhões, metade coberto pelo governo federal.
O aumento dos preços do petróleo, influenciado pela guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, pressiona os custos do diesel no Brasil, que importa cerca de 30% do consumo.
Durigan ressaltou que o preço do diesel importado está se afastando do valor interno, com risco ao abastecimento.
A decisão final cabe aos governadores e será discutida até 27 de junho, quando ocorrerá uma reunião presencial do Confaz em São Paulo. A proposta vem após resistência inicial dos estados a cortes sem compensação financeira.
Créditos: Tribuna do Norte