Política
06:06

Carta de Bolsonaro confirma disputa presidencial e destaca força de lulismo

A carta escrita pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), divulgada em frente ao hospital onde ele está internado, encerra as especulações de que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), pudesse surgir como nome do bolsonarismo. Embora essa possibilidade já fosse baixa pela dinâmica familiar, agora se torna praticamente nula, movendo-se para o campo do imponderável na política e na vida.

Bolsonaro jamais considerou transferir seu capital eleitoral a alguém que não seja um de seus filhos. Até em relação à esposa Michelle Bolsonaro, ele demonstra cuidado para manter controle. Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi confirmado como candidato. Para Jair Bolsonaro, é preferível perder a eleição para Lula do que permitir o surgimento de outro nome forte à direita que o desbanque. Ele precisa de Lula para se manter relevante, e Lula vê vantagem em enfrentá-lo, pois isso facilita desarticular a coesão de partidos à direita.

Bolsonarismo e lulopetismo permanecem as duas maiores forças eleitorais nas disputas majoritárias. Pesquisa Datafolha aponta que 40% do eleitorado brasileiro se inclina a Lula e ao PT, enquanto 34% se posicionam a favor do bolsonarismo. Juntos, totalizam 74%, dificultando a atuação do centro político. O centro representa cerca de 24% do eleitorado, que se declara neutro ou sem apoio a Lula ou Bolsonaro. Apesar de variações metodológicas, aproximadamente um terço do eleitorado se distribui nesses três grupos.

Apesar da identificação do bolsonarismo com eleitores mais à direita no espectro político, o lulismo é maior que o grupo que se declara de esquerda, que soma 22%. Por isso, a esquerda depende atualmente de Lula e não apresenta outro nome alternativo para substituí-lo.

A um mês do Natal de 2025, as duas principais forças políticas do país já se posicionam claramente para a disputa pelo Palácio do Planalto. A movimentação das legendas do Centrão deve crescer, e o tom das campanhas está refletido nas mensagens natalinas dos grupos.

Lula fez um balanço de seu governo, destacando avanços sociais, econômicos e na segurança pública. Reafirmou a promessa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil em 2026, defendeu a escala de trabalho 6 por 1, mencionou obras em andamento e ressaltou o combate ao crime organizado, especialmente sua infiltração em elites empresariais, políticas e no funcionalismo público. Lula ainda celebrou a soberania nacional e a reversão do tarifaço imposto por Donald Trump.

A carta de Bolsonaro, lida por Flávio, e a mensagem de Michelle trazem um discurso com forte viés vitimista, religioso e moral. Assim, nas campanhas, enquanto o incumbente apresenta seus feitos, o desafiante, sem ações de governo para mostrar, busca desconstruir a perspectiva governamental.

Flávio Bolsonaro quer evidenciar a falta de ações governamentais e mostrar o pai como “perseguido”, em negação sobre os crimes contra o estado democrático no Brasil. A citada reflexão de Norberto Bobbio diz que “quando o espaço das alternativas se estreita, a política deixa de escolher e passa a apenas confirmar”.

A confirmação de Flávio Bolsonaro na disputa presidencial deve reorganizar alianças e forças políticas no Congresso e nas eleições estaduais. O Centrão que apoiou Tarcísio de Freitas pode reaproximar-se do governo Lula, incluindo o União, que voltou ao primeiro escalão e poderá repensar lideranças estaduais para facilitar alianças com candidaturas do campo lulista.

Aliados do prefeito Álvaro Damião (União) esperam que ele assuma a presidência do partido em Minas, substituindo o deputado federal Marcelo Freitas.

Na porta do hospital DF Star, em Brasília, onde Bolsonaro foi submetido a cirurgia, o deputado estadual Caporezzo (PL) foi o único que permaneceu em plantão neste Natal, acompanhando o procedimento junto à família.

Além disso, mais de 140 mil trabalhadores ainda não resgataram o abono salarial dos programas PIS e Pasep, cujo prazo final para saque é 29 de dezembro, somando R$ 145,7 milhões. O benefício abrange o ano-base de 2023 e revisões dos cinco anos anteriores. Após o prazo, só será possível sacar mediante convocação especial do Ministério do Trabalho e Emprego.

Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados e cancelado pela Lava Jato, está em campanha para deputado federal por Minas Gerais, baseando-se em Uberaba. Ele escolheu não se candidatar pelo Rio de Janeiro para não disputar com a filha, deputada federal Dani Cunha (União-RJ). Cunha segue a conhecida pauta “bíblia, boi e bala”.

As opiniões expressas neste texto são do autor e não refletem necessariamente o posicionamento do Estado de Minas.

Créditos: Estado de Minas

Notícias relacionadas

Política
quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Ler +
Política
quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Ler +
Modo Noturno